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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Oração à Emily




Emily que estais no céu
Perdoai-me se um dia te ofendi,
Não foi por mal.
Quando dizia ser sua herdeira
Era porque tínhamos muito em comum:
Surdez, perder o carro no estacionamento,
Fazer processamento e ter parentes no Vale Paraíba.

Ò Emily que estais aí, sentada ao lado direito,
Do criador do céu e da terra,
Do homem e da mulher,
Mandai-me um marido abastado,
Porque aqui embaixo
Andam dizendo que nem disso, sou capaz! Calúnias...
(mas pra falar a verdade, quem diz não vale um tostão de mel coado)

Ò amiga que estais no céu,
Vendo tudo o que se passa por aqui,
Daí-me uma luz!
Ajudai-me com essa tal FAPESP!
Apontai-me o caminho,
Mandai um sinal de como preencher as planilhas.
Onde encontro os números certos.
Fazei com que o Setor Financeiro
Me diga quanto de dinheiro nós temos!

Aproveitando esta oração...
Sussurrai a senha do banco para a sua família.

Amém.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

DEUS NÃO É ARQUITETO, URBANISTA E NEM DESIGNER...

Era uma vez uma biblioteca de Arquitetura e Urbanismo linda, loira, de olhos azuis, pisos brilhantes e caramelizados, livros de arte e arquitetura com capas e conteúdos ma-ra-vi-lho-sos, com funcionários chiques e atenciosos enfim, tudo na mais perfeita ordem. Mas, a perfeição atrai a inveja e o mau olhado e como tudo que é bom dura pouco...
Tudo começou nos idos do ano 2006 depois de Cristo - que Deus o tenha - quando a Vânia resolveu cuidar da sua vida e nos deixou. Ela sair da biblioteca tudo bem, o problema estava em conseguir alguém, tão eficiente quanto, para ocupar a sua vaga e numa instituição pública como a USP, isto significa uma longa batalha de pedidos, faxes, ofícios telefonemas e reuniões com diretores, reitores e/ou chefes de departamento de pessoal.
Foi ainda em 2006 que instâncias superiores resolveram criar um novo curso noturno na FAU, o Design. Só esqueceram que para a biblioteca funcionar a noite precisa contratar mais funcionários e para isto acontecer, deve-se criar mais vagas o que significa uma longa batalha de pedidos, faxes, ofícios telefonemas e reuniões com diretores, reitores e/ou chefes de departamento de pessoal.
Por conta deste novo curso, até que conseguimos 3 técnicos para trabalhar 6h/dia sem muito chororô. E a bibliotecária que ocupou a vaga da Vânia teve que cumprir horário noturno para atender às pesquisas noturnas, portanto, o setor antigo da bibliotecária que foi cuidar da própria vida, ficou a ver navios, barcos, pórticos, fotos etc etc e tal.
Em setembro de 2007, a diretora da biblioteca foi convidada a assumir um posto mais alto na sua carreira, lógico que prontamente atendeu ao pedido da Reitora, com a promessa de uma vaga, assim de mão beijada, sem precisar de batalhas e faxes, ofícios telefonemas e reuniões com diretores, reitores e/ou chefes de departamento de pessoal.
O tempo passou, passou, o verão findou, veio o outono, inverno, outro verão, outono, inverno e agora a beira da primavera de 2008 cadê a vaga? Que vaga? Hein? Anh? Quem falou em vaga?
Neste meio tempo, uma outra bibliotecária nos deixou, não por vontade própria. É que recebeu uma chamada de Deus e quem pode com este arquiteto?
Em junho deste ano, maldito, diga-se de passagem, a bibliotecária “noturna” nos deixou por outras razões que prefiro não comentar.
Vai daí as bibliotecárias que sobraram passaram valer por duas, três até quatro, é que para tudo continuar a funcionar como antes: linda, loira, caramelizada, somos o que éramos e o que as outras, que se foram, eram. Entenderam? Não?
Não precisa entender, só que se um dia você esbarrar numa bibliotecária descabelada, stressada, com sapatos trocados, trocando alhos por bugalhos, pode ter certeza que trabalha na FAU.
Decididamente DEUS NÃO É ARQUITETO, URBANISTA E NEM DESIGNER...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Aleluia! Ela veio!

Segunda-feira cheguei à biblioteca lenta e com os pensamentos embaralhados, acho que é por causa do famigerado aquecimento global, sem imaginar o que estava por vir....
Às nove horas da manhã me dirigi a copa, como de costume e passando pelo Setor de Projetos topei com a Bete. Sim a Bete chegou! a Bete veio! Veio balançar e sacudir a poeira dos livros.
A princípio achei que era uma miragem, que meus olhos estavam confundindo alguma aluna com a figura da Bete, ou pela vista turva devido a falta de chuva em São Paulo, mas aí ela emitiu um som:
- Cheguei!
Pensei alto:
- Deus começou a olhar para nós!! Ai Jesus!
Felizes com a sua chegada, demorou mais veio, festejamos com um bolinho e café na copa. Enfim mais dois braços para guardar livros, mais duas mãos para digitar o que for preciso, mais uma boca para comer os biscoitinhos na copa! E depois dos blábláblás, das fofocas, dos comentários do fim de semana, nos perguntamos:
- Quem vai ficar com a Bete?
Suspense.....
A Rosilene já estava lá, toda serelepe, mostrando o seu setor, o de Projetos. A Mônica precisando urgente de alguém para por a sua prole em dia (explicando a prole: Índice de Arquitetura Brasileira e o cadastro da Produção (in)científica).
Eu preciso de um ser pensante para tombar as doações, que andam caindo na minha mesa feito bala perdida dos morros do Rio de Janeiro.
A Turma da Dina, isto é, do atendimento, sabe, aquele povo que fica no balcão sempre sorrindo, engolindo sapo, abelha, mosca, pois quem encosta o umbigo lá, “tem sempre razão” , mestre ou aluno? nem piou.
A Edla, a bibliotecária turista e chiquééérrrimaaa, que já está indo viajar logo logo, nos deu um golpe de mestre usando a sua arma poderosa: desceu do salto Cordoban, abriu a sua bolsa da Fendi e de lá tirou a sua arma! E com um Tsssss vaporizou o nosso ar com o seu Chanel n.5, nos paralisando feito estátua e impedindo qualquer reação ao seu próximo golpe fatal:
- Bete, você é minha! Sente-se aqui que vou chamar a Regina para te ensinar o serviço, pois ainda tenho que fazer umas comprinhas virtuais.
Quando o efeito do perfume passou, depois daquele quem sou eu, onde estou? Nos demos conta que era tarde demais a Edla já havia a cooptado, pra não dizer seqüestrado.
Mas como nós trabalhamos em equipe e sabendo do breve embarque da chiquéérrimaaa rumo ao United States, é bom que a Bete assuma o serviço, antes que sobre mais serviço para a Mony.
De qualquer forma, vai um soneto:
Bete.
Esteja onde estiveres.
Tu és bem vinda.
ALELUIA!!!!!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

De olhos abertos

Era uma vez, num futuro quase próximo, no Japão, uma japonesinha neta de uma japonesa bibliotecária da FAU.
Certa vez a japonesinha, vendo o robô doméstico da sua mãe atarefado fazendo uma torta de kiwi e manga, teve a brilhante e antiga idéia de levar um pedaço da torta para a sua super-moderna avó. Ela sabia que a vovó adorava transformações em sua pessoa. Conheceu toda a evolução da anciã através das fotos daquele antigo orkut. Como também era amiga dos cinco netos da Let´s ( que ainda não tem nome, mas que serão cinco, ah! isso serão) conhecia também antigo blog da Let´s, onde estava repleto das estórias da avó.
Aí ela avisou a mãe que ia levar o pedaço do doce para a Neusa lá na FAU, mãe concordou com a condição que não parasse no caminho.
– Ok, mamy, respondeu a filha.
Pegou a sua nave espacial infantil e voou do Japão para o Brasil rapidinho, mas chegando em São Paulo, viu que o trânsito estava parado e resolveu fazer um pit-stop em Copacabana, no Rio de Janeiro. Era a hora do rush da manhã e poderia esperar até às 10h, quando a vovozinha costumava tomar café com as colegas da biblioteca.
Esticou a toalha na areia e ficou admirando as águas poluídas do Atlântico. Deu um tempo, tomou água de côco, conversou com um surfista, que definitivamente não será o Lobo Mau desta estória. Às 10 horas, colocou o capacete e o macacão prateado, itens essenciais para pilotar naves espaciais infantis e rumou para São Paulo. Em dois minutos chegou ao destino.
Como já era conhecida na Biblioteca, entrou sem cerimônias perguntando pela querida vovozinha. A Regina que ainda estava no balcão de empréstimo, de barba branca de molho, avisou que provavelmente ela estaria tomando café.
Ao chegar à copa, todo mundo fez festa:
- Olá! Como vai? – disse a Rita
- Como está linda a sua neta! Comentou a Araci
- Ah, há! Trouxe docinho para a vovó? Emendou a Mony.
Respondeu um arigatô para aquele povo escandaloso. Acanhada foi se chegando perto da avó e falou baixinho, mal de família ou da etnia?
- Vovó pra que este decote tão grande?!
- É pra ventilar melhor o pescoço, respondeu a Neusa.
- Pra que este cabelo de espanador?
- É para arejar as idéias.
- Pra que este salto tão alto?
- É pra subir na vida.
- Pra que esta plástica nos olhos?
- É para abri-los e enxergar looongeeee!!!!!!
- Será que também posso abrir os meus?É que assim o mundo parece pequeno.
A Neusa deu um sorriso e explicou para a neta que ainda era cedo e também era por isso que os japoneses transformava toda nova invenção do Ocidente, num mesmo objeto na versão micro.
- Então tá-né-vó. Come a torta que tenho que voltar pra casa.
E lá se foi a japonesinha feliz da vida, almoçar sushi e peixe cru no Japão.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Os Anjos no Céu

Depois de um longo sono tranqüilo, sem apnéia, sem chuva na cama, Emily abriu os olhos. Não reconheceu nada a sua volta e aflita foi logo pensando alto:
- Onde é que estou? Pra onde vou? Será que hoje é dia do meu rodízio e perdi a hora de novo?!
Levantou-se das nuvens em que estava deitada e encontrou um belo café da manhã, repleto de papo-de-anjo, chás, leitinhos, chocolates, tudo o que podemos imaginar. Sem cerimônias Emily deitou e rolou nas guloseimas. De barriga quentinha, espreguiçou-se e notou um lindo portal de ouro a sua frente, com um senhor gordinho olhando para ela:
- Seja bem vinda dona Emily!
- Pode me chamar só pelo nome, mas ki ki é isso aqui? Onde é que estou? Pra onde vou? Pra esquerda ou pra direita? Cadê a Edla? Cadê a Mony? E a Célia, Let’s, todo mundo! Céus kikiéisso aqui?
O gordinho de barba branca, vestido de santo, respondeu:
- Calma! cara amiga, você está no céu e esse povo vem depois, agora você encontrar outras amigas por aqui.
- Céu? Fazendo o quê? Como é que vim parar aqui?
- Ai meu Deus! Todo mundo faz esta pergunta quando chega aqui...
E antes de terminar a frase, o santo foi interrompido pela sua secretária:
- Emily! Você chegou! Estava morrendo de saudades!
- Dora! Quanto tempo! Também morri de saudades, mas me explique onde estou?
- Pô Emily, no céu! E você não sabe quem também está aqui...a Sonia e...
- Bom, já que você já está integrada com os anjos do céu, deixou-a nas mãos da minha eficiente secretária, a Dora, para explicar como é que as coisas funcionam aqui – interrompeu o Santo.
- Ki ki é bem? Não escutei.
O Santo caiu na gargalhada, balançando a barriga:
- Ô meu anjo, aqui no céu ninguém tem defeito de nascença e nem doenças. Você escutou muito bem.
- Pódeixar São Pedro que explico tudo, interveio a Dora puxando a Emily através do Portal para entrar definitivamente no céu.
De olhos arregalados e boquiaberta, exclamou:
- Noooossaaaa!!! Aqui é mais bonito que o céu do Líbano!
Nisso ela escuta uma voz amiga:
- Emily! Tu chegou! Me conta, como vai o povo da FAU?.
- Sônia! Que saudades...Estou feliz por encontrar vocês aqui, não vou me sentir solitária. Mas me contem o que a gente faz aqui no céu? O café da manhã estava divino!
A Dora e a Sonia entreolharam-se e caíram na gargalhada: aqui tudo é divino e maravilhoso!
- Meninas, o que vocês andaram fazendo por aqui, durante esses anos?
- Bom, depois da experiência de secretariar o Antônio Henrique Amaral, Deus me incumbiu a tarefa de auxiliar todos os Santos, ou seja, São Pedro, São Paulo, Santo Antônio, São Expedito, enfim, todos.
- Nossa Dora e você dá conta?
- Afê, tiro de letra, isso não é nada. Lembre-se que construí a minha própria casa em Piquete, trabalhei com a Granja, com Antonio Henrique e a Norma. Os Santos são santos perto de todo esse povo. O único que dá mais trabalho é Santo Antônio, está difícil arrumar homem para tanta mulher solteira.
- É pensando assim, você tem razão. E você Sonia, que anda fazendo?
- Bah tchê, tu não imagina, logo que cheguei aqui abracei a causa dos Anjos Sem Nuvens. Foi lindo! Todos aqueles anjinhos barrocos caminhando e cantando. O anjo Gabriel foi quem representou os anjos na Comissão Celestial das Nuvens.
- Ele é porreta, interrompeu a Dora.
- Eu só orientei como tinha que reinvidicar as nuvens, contei a minha experiência, sabe? Aquelas maravilhosas greves da USP, as passeatas no Palácio do Governador, na Paulista, as bombas de gás lacrimogêneo, você sabe, né?
- Sei, sei, mas aqui também tem isso.
- Nãããooo... Aqui tudo é light, divino e maravilhoso. Depois te conto os detalhes.
- Tem biblioteca aqui? Será que posso trabalhar lá? – perguntou a Emily, ansiosa.
Mas um anjo-barroco-mensageiro, cortou a conversa trazendo um convite para a Emily. A Dora olhou e sorriu:
- Esse programa você vai adorar!
- Ki ki é isso? Um convite para um recital do Tom Jobim! Acompanhado por Mozart em pessoa! Ai, aiai, aiai, sem dúvida estou no céu!
- Então, Emily, esta será a sua função aqui no céu. Organizar recitais, ninguém melhor que você para trazer as atualidades da terra.
- Esqueça as bibliotecas, isso pode esperar a Let’s, que quando chegar vai processar tudo num piscar de olhos e não precisa se preocupar com espaço, que é divino, maravilhoso e infinito! Retrucou a Sônia.
- E nem descartar, explicou a Dora.
- Então gente, mostrem o céu!
- Com prazer, responderam as duas em coro, e aqui não tem problema de goteiras e desconforto ambiental.
- Ai que maravilha! Divino!

E assim, nossas três amigas foram felizes para a eternidade.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Será que ela virá?

Sensibilizado com a escassez de pessoal na biblioteca da FAU, o senhor diretor prometeu uma funcionária eficiente para cobrir esta falta, buraco, ou melhor, rombo de funcionários! Ninguém menos que a Bete da Comissão de Graduação.
Conheci a Bete no banheiro, entre uma escovada de dentes e outra, e parece ser daquelas pessoas que eu gosto, a mil! Cheia de energia e é de gente assim que precisamos na biblioteca. Bom, pelo menos este escatológico banheiro das funcionárias da FAU, está me servindo para a conhecer novas pessoas.
Então, recebemos a informação que ela assumiria o seu posto em janeiro. Nos planejamos para recebê-la de braços abertos e sorrisos largos, mas era época de férias e ficou para o mês seguinte.
Fevereiro chegou com toda a força do verão e com ele, a nova notícia: a Bete precisa ficar na Comissão, pois é época de atender as transferências, equivalências, blábláblá, blábláblá. Sem saída, acatamos a nova ordem e continuamos a fazer novas carteirinhas, a emprestar, a guardar livros, revistas, projetos, slides, cds, dvds, enfim, a rotina de uma biblioteca com ou sem funcionários.
Aí veio março com suas águas fechando o verão e nós aqui, afogadas em livros e carteirinhas, com a vã esperança da breve chegada da Bete, como quem fica olhando o céu noturno a espera de um disco voador e se não existe disco voador, conclui-se: a Bete não veio.
Abril. O verão acabou e o outono chegou trazendo apenas o frio. Nos agasalhamos e enchemos nossos corações de mais esperança de que mais um calor humano viria esquentar o nosso desconforto ambiental. Mas ainda não era a hora da Bete:
- Ela precisa fazer uns acertos finais na Comissão de Graduação.
Em maio o frio apertou, acendemos uma vela para esquentar o ambiente e rezar pra Deus Nosso Senhor enviar a Bete de qualquer maneira.Parece que Deus tentou acender uma luz no fim do túnel e surgiu uma nova chama de esperança. É que uma funcionária de outra unidade veio para a biblioteca, a cedemos para a Comissão de Graduação com o intuito de a troca ser imediata. Ela pela Bete. A funcionária foi e nós ficamos de mãos vazias: A Bete não veio. Desta vez tinha que “treinar” a nova substituta.
Sem saída e com a porta de emergência trancada, nós aqui na biblioteca continuamos a emprestar e guardar livros, revistas, projetos, slides, cds, dvds, enfim a rotina de uma biblioteca, com ou sem funcionários.
Junho.
- Agora vem.
- Será que virá?
Alguém cantou: e no balanço das horas tudo pode mudar....
A última notícia que obtivemos, no banheiro, é claro, é que definitivamente a Bete não vem em junho e em julho estará de férias, será que no mês do cachorro louco ela vem?
Esgotado(a)s da esperança/sem esperança, espera/não espera, vem/não vem, só nos resta lembrar o Cazuza:
“Bete Balanço, meu amor, me avise quando for a hora...”

(dizem por aí que quem espera sempre alcança).

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O Espanador japonês

A Neusa é uma caixinha de surpresas. Já me deu um susto quando pensei que seu casaquinho tamanho gigante ambulante era um puf roxo de rodinhas. Depois customizou o puf tornando-se uma cama-sexy-redonda. Agora nesses tempos de beleza pura, fez um upgrade em suas madeixas de gueixa, transformando-se em mais bibliotecária loira de raízes negras e para ficar mais fashion, espeta tudo pra cima.
Está certo que a Eliana saiu, a Dina escureceu o cabelo e a Edla em breve se tornará uma turista profissional, mas não será por falta de inteligências loirísticas que esta biblioteca não vai mais funcionar.
A Neusa sempre me prega peças. Outro dia estava eu, nos fichários, sim esta biblioteca ainda tem fichários com fichinhas de 12 x 7 cm....e vejo uma penugem igual a de um espanador, andando sozinho pela beirada do outro lado do móvel. A primeira vista pensei que era a faxineira limpando as gavetinhas, mas ele continuou andando e falando (de novo)
- Bom dia Let´s
Olhei pra trás, pros lados e não vi ninguém. Sabe aquele segundo que o tico e o teco funcionam? Concluí: é o espanador que está falando!
Depois de oito anos de FAU nada mais me assusta, tranqüila porém desconfiada, respondi bom dia, esperando para ver quem era a dona da voz e daquele espanador ambulante. Ufa! Era somente a Neusa.
E lá veio ela sorrindo:
- Então Let´s, e o carro novo?
- Ah! O carro é outra estória.

A janela sem a moça

Aquela janela da FAU que em 2002, tinha a moça que via o tempo passar, o entulho cair, agora está vazia. Não é domingo, ora pois, mas a moça sumiu de lá. É que os tempos mudaram e a nossa Rita da Fita, não usa mais fita no cabelo e nem pita mais, não pita porque não quer, não se entope de nicotina porque uma pneumonia quase a leva desta para melhor.
Mas a vida continua e as frondosas árvores do estacionamento da Matemática continuam sacudindo seus galhos ao vento, a poeira continua entrando na sua sala, os alunos continuam passando lá embaixo, só o entulho não cai mais afinal, a reforma acabou.
Foi a força do destino que fez a cabrocha namoradeira de cabelos lisos e passos apertadinhos, lembrar que já era avó. Este destino fatídico manifestou-se cruelmente através do seu querido neto: num dia plácido de céu azul, às margens da rua do Lago ela saiu correndo atrás do neto, não se sabe se estava brincando de pega-pega ou se queria salvá-lo de um possível acidente, só sei que devido a este ato tresloucado, pensando que ainda podia sair por aí saltitante, seu tendão gasto, não tanto pela idade mas sim pelos sambas sambados durante a sua existência, rompeu-se num TREK.
Dá para imaginar o auê que foi na biblioteca? Leva a Rita para o hospital, leva o ponto para ela assinar, um diz-que-diz danado: se ela pode, também quero! Três meses sem ela! Nem preciso dizer que o controle dos livros, que estavam no restauro, foi-se por água abaixo, melhor dizendo: foi-se FURNAS abaixo.
Depois da operação deram três meses de licença, três meses em casa de cama, num bem-bão de dar inveja. Sem ter o que fazer ficou pensando na vida, revendo seu passado, reformulando o futuro e com tanta caraminhola na cabeça, surgiu a nova Rita sem fita e de vida saudável: não fuma, devido à pneumonia; não usa mais plataforma, devido às seqüelas do acidente; ganhou uns quilinhos na cintura, também seqüelas da mordomia; adotou os cabelos rebeldes, pela rebeldia da moda (acho que é preguiça mesmo) e o samba?
- Ah! Isso não largo, não!
Mas continua sempre sorrindo, sempre simpática me fazendo rir muito em nossos cafés matinais. E o que eu mais prezo nela, nesta sua nova vida saudável, é aquela latinha redondinha abarrotada de bolachinhas, uma “ dilicia!”

quarta-feira, 12 de março de 2008

2 - Beleza pura

Aaahhhh, essa biblioteca da FAU, quantas inspirações ela não me dá?
Cheguei aqui em 2001, era agosto, fim do inverno, mas ainda frio, muito frio e achei chiquérrimo ela usarem luvas de lã sem dedos, para digitar, não preciso dizer que as copiei rapindinho.
Fui conhecendo os meus (quando existiam) e as minhas colegas de trabalho aos poucos. Sou tímida, você sabe, e fui me interando dos jargões e das manias de cada um, seus tipos, tipinhos e tipões. Tropecei no puf roxo até descobri que era a Neusa, conheci a tia Sumaya através da Emily, por telefone, aprendi tomar chá vermelhinhos com a Edla, fugir da costureira-maluca Lisely, tomar conselhos com Araci, entrar em greve com a Regina, ficar zen com a Célia e a ter cuidado com as insanas mansas, que não são poucas.
E o tempo passou, a biblioteca cresceu, comecei a pegar o jeito, por osmose, e estou descartando feito louca, só não posso me esquecer da Célia, descarta-la jamais! Basta a Reitoria querer mandar embora nossas 69, número tão sugestivo! Mas que na Usp deixam as mulheres a beira de um ataque de nervos.
Contudo, nem tudo são flores e alegrias. De uns anos pra cá a coisa começou a complicar, as emoções se misturam em caracóis e cabelos de medusa, modernamente esticado na chapinha, é claro. Como a maioria aqui é mulher, e sabe cumé ki é, aquela concorrência de quem é mais gostosa, chique e fashion? Aí desembestaram a costumizar as roupas. É um tal de aumentar decotes, fendas das saias até onde Deus permite, sobem e descem barras das saias; compram desesperadamente coleções de colares, até parece que são girafas! É botox dali, tira peito daqui, aspira banha de acolá, trocam receitas de regimes, a Let’s até parece anorexica! A escova progressiva, nem se fala, virou febre: 4 entre as vinte! E a massagem na Matemática? Tem fila!
Creminhos da Avon e Natura para peles oleosas-secas-mista, para cabelos, para estrias, celulites, para qualquer coisa....a Vila fatura!
Mas não pense vocês caros leitores leigos das manhas uspianas, que estas pobres mortais são descontadas no contra-cheque, quando se deitam e deleitam em mesas de operações, não meu bem, tudo respeitando os direitos e deveres celetistas, apresentam um atestadinho do INPS ou descontam os dias daquelas férias vencidas, que ninguém mais se lembra que existiam.
Quiçá no futuro, até teremos nota fiscal eletrônica da Vilani, só para ter o descontinho nos impostos.
Aaaahhh! Como é bom trabalhar aqui. Acho até que, se um morcego resolver dar uma passadinha nesta biblioteca, tem grandes chances de se tornar uma Lady Laura.
Letícia - 29/02/2008

3 - Meia Nove, a melhor idade.

Trabalhar na USP é pior que participar do Campeonato Brasileiro de Futebol, se este é uma caixinha de surpresas, aquele é uma implosão de emoções, que são tantas e capazes de arrepiar os caracóis de nossos cabelinhos com escovas progressivas.
Era uma segunda-feira ensolarada de janeiro, repito, dia do meu rodízio, dia que fico trupicando nos pés e batendo a cabeça de tanto sono. Geralmente sou que nem corno: o último a saber, mas neste dia estava completamente outsider e não percebi o zumzumzum do lado de lá da minha sala.
Aí para saber do acontecido, a Mony teve que me ligar em casa já a noitinha, deixando seus filhos de lado – coitados- berrando pelo jantar! só para contar que as nossas queridas beach-girls e a conselheira para assuntos diversos, vulgo, Emily, Edla e Araci respectivamente, receberam uma carta da Reitoria lembrando-as – e precisava lembrar? – que completarão 70 anos e por conseqüência, serão aposentadas querendo ou não. Foi uma choradeira. Cruzes, eu disse, fudeu.
Foi um tremendo choque, uma falta de ética revoltante, falta de sensibilidade, falta de etceteras, não só porque espalhou para o mundo! que as meninas estão no meia-nove, como também serão praticamente expulsas desta magnífica instituição; como se as nossas super-hiper-mega-blasters girls não tivessem mais utilidades.
Ficamos catatônicos. E agora quem vai nos servir chazinhos vermelhos e rosas? Quem vai nos atualizar com as novidades do mundo fashion? Quem vai comprar revista pensando que é livro? E a tia Sumaya? Como é que fica? Quem vai nos interromper de 5 em 5 minutos: - Ki Ki é bem? Não escutei [aí a gente repete a conversa desde o início, que nem sempre chega ao fim].
E eu, que ficarei sem a minha consultora para dias melhores que estão por vir? Vocês sabem que a Araci é uma ótima conselheira para todos, outros e quaisquer assuntos, principalmente os sexuais. É só mentalizar a coisa que você quer, que pimba! Dá certo. Juro que estou tentando.
A Edla com aquele bronzeado de rica, que pobre não bronzea, tosta; caiu em prantos: quem vai cuidar do meu Kardex? Buááá´. Mas como uma lady já deu a volta por cima. Decidiu esquecer este momento 69 deprê e vai dar um rolê logo ali nos unaites estades.
A Emily, também com o bronzeado ubatubense de gente fina, ficou um pouco mais aérea e não sabia se ia ou se vinha, mas não chorou. E nós não percebemos muita diferença no seu comportamento.
Já a Araci foi mais racional: pôs as cartas na mesa, digo, todos os santinhos que podemos imaginar, fez uma prece pra Deus Nosso Senhor, Nossa Senhora, Santa que desata nós, santo Expedito, São Jorge, Nossa Senhora de Aparecida, ufa! E fez um contato imediato para a filha verificar na reitoria, como é que é esse babado.
Segundo investigações sigilosas, a aposentadoria compulsória é para autárquicos e elas são CLTs e só sei que nesse vai e vem de notícias desencontradas elas estão se fingindo de mortas, no deixa como está pra ver como é que fica.
Porém, esta situação está deveras me preocupando, já levaram a Eliana, até o fim do ano quiçá, irão as três meninas, a Rejane saiu do processamento técnico foi para o empréstimo que já deu no saco e agora foi trabalhar com a Neusa. Daí pra rua é um pulo, cuidado! Nesse troca-troca a Regina saiu de trás e foi pra frente, para perto da porta de saída. Eu to de olho na Fau Maranhão. Desse jeito vamos ter que por a plaquinha:

O último a sair, favor apaguar a luz e tudo leva a crer que será um morcego.

26/02/2008

4 - Tédio

Que tédio!
Não, não vou falar do avião da TAM, já tem muita gente melhor que eu escrevendo sobre o acidente; e sim do tédio, do silêncio, das saudades dos colegas de trabalho.
Aqui, deste lado de cá da biblioteca, estamos eu, vulgo Let’s, a Edla Marie (Maria é pros pobres) e a companheira Regina. A minha mesa fica numa ponta da sala e as duas lá, bem lá longe do outro lado. Só escuto um burburinho da conversa entre as duas e o barulho dos meus cliques e das teclas teclando o teclados.
Que marasmo está aqui!
Por incrível que possa parecer, estou sentindo falta do telefone berrando para a Emily e da músiquinha do seu celular. Há dias não escuto; “TIA SUMAYA!!!” “ALÔ, ALÔ DÁ PRA FALAR MAIS ALTO?”. “AINDA CHOVE NO MEU APARTAMENTO!”. “O SENHOR AINDA NÃO MANDOU A COTAÇÃO”.
Estou sem a minha companheira de café para falar do Jack Bauer (lindo e porreta); trocar figurinhas sobre filmes; para saber as últimas notícias do uol.com.br, do estadao.com.br e outros pontocompontobr....
A Vila, mesmo silenciosa e falando baixinho, ainda produz algumas ondas sonoras.
Da Célia vem o barulho da impressora, principalmente quando as etiquetas “engastalham no rolo da impressora” (#@$&*$*#*#!!!!*&!); o som metálico da tesoura sendo colocada na mesa e o infinheki da fita transparente (durex é pros pobres)
Falta também a Eliana dando os últimos informes dos babados lá de baixo: diretoria, tesouraria, compras e afins.
Até o Katinsky sumiu! Sinto falta do seu bordão: “Ah Rá! Tá todo mundo conversando! Cadê a chefa?”. Até tu, Brutus! Nos abandonou.
E os puxa-sacos? Onde estão? Tô de diretora há 9 dias e ninguém me deu nada, nem um bolinho, uma bolachinha, um pão de queijo, um chazinho, nadinha....
Será que já se acostumaram com o meu estilo light de chefia? Será que terei de endurecer, sin perde la ternura? Esta é a primeira crônica que não termina com a frase: “e fomos comer bolo para comemorar” Fim xôxo, não?
18.07.2007

5 - Ériquinha! (Feliz aniversário)

- ÉRIQUINHA!
É assim que eu a cumprimento quando a encontro sentada no micro, digitando, digitando, com aquele negocinho no ouvido.ÉRIQUINHA! Boa tarde!, não sei porque ela se assusta? Dá um pulo na cadeira e diz: AI! Que susto! É um maior furdunço, só porque falo um pouco alto: É-RI-QUI-NHA!

Lógico que capricho no É da Érica. O diminutivo é um agrado que não sei se agrada, mas acho que combina com a meiguice de sua pessoa.
Mas tudo isso só acontece quando ela aparece, quando não tem trabalho da faculdade, quando está bem de saúde, quando o ônibus a deixa chegar, quando ela acorda cedo, quando, quando, quando, sei lá mil coisas..... É-ri-qui-nha é uma caixinha de surpresas. Todos os dias nos perguntamos:
- Será que ela vem?
E se não vem:
- Será que ela está doente?
Não faz muito tempo foi um auê, aqui no lado de cá da biblioteca. Nossa Ériquinha sumiu uma semana sem dar satisfação. A Célia, a Regina, a Mony, ligavam para o celular e caía na caixa postal, ligavam para a casa e ninguém atendia, ligavam para a mãe e necas de pitibiribas... Aí pensamos o pior:
- Tá no hospital entubada.
- Mas a mãe nos teria avisado.
- Foi seqüestrada.
- Será?
- Liga na ECA!
- Cruzes, nem tanto...
- Ah! Há! Descobri! – gritou a Regina – Ela não vem porque tem um monte de trabalho para fazer.
- Aaaaaaa boooommmm..... fizemos em coro. Mas bem que podia ter avisado, né?

Já avisei para a Ériquinha trocar de profissão, bibliotecária não tem futuro.
Já falei vai ter que agüentar us susuários chatos, vai ter que dar assunto e classificação pra livro que ninguém vai ler e depois vai destombar e descartar; vai ter que procurar livro que ninguém encontra; vai ter que descobrir se, aquele livro de capa colorida tamanho médio em inglês, é o que o professor jura que consultou um dia na sua vida. E mesmo assim, ela insiste em estudar biblioteconomia; pra mim, aquele negocinho no ouvido não a deixa escutar a voz da sabedoria!. Reclamou que só a avisei no último ano do curso, oras bolas, nunca é tarde para mudar.

- Ô ÉRIQUINHA! Eu tô avisando....Mas já que você insiste, persiste e não desiste, vamos comemorar o seu aniversário. Vamos ao bolo!

19/10/2007

6 - Customizando o puf

Lá se vão cinco anos desde que conheci o Puf Roxo e muita coisa mudou no mundo e na terra, que anda por demais aquecida e derretendo os nosso cérebros e nos obrigando a andar quase nus.
Há de convir que o modelito Puf Roxo é para inverno, e como a Neusa não está querendo transformar seu corpinho de Vênus-gueixa em molho shoyo, resolveu customizar o seu Puf Roxo.

Agora quando vou tomar café não vejo mais um alcochoado ambulante, mas uma cama-sexy-redonda-com-espelho-no-teto de salto quinze. O salto é para tornear as suas batatinhas das pernas morenas do sol do cepe.

Ela não contou o seu segredo, mas fazendo uma pesquisa em sites de moda e observando a mudança gradual da nossa colega, acho que encontrei a receita, que repasso a quem possa interessar (principalmente eu)

Receita da costumização:

- Espete o Puf para esvaziar tudo;
- Arranque as mangas;
- Uma bela tesourada no decote da frente e de trás até onde Deus permita;
- Sutiãs aos lixo!
- Joelhos, costas, ombros e colo sempre à vista;
- Ajuste o Puf o máximo que puder ao corpinho;
- Uma maquiagem definitiva;
- Um marido e/ou amante (sei lá, né) que compareça.

E enfim, a cama-sexy-redonda-com-espelho-no-teto, que treme, revira os olhos e suspira em meio aos slides, projetos e monitores está pronta para falar:

- MORRA DE INVEJA!.


07.03.2007

7- Zuleide

Não resisto, deve ser sina fazer da desgraça alheia o riso de alhures. A minha sina de falar dos outros em contos e crônicas já me colocou em maus lençóis e saias-justa, principalmente quando encomendam uma crônica, então vai esta que foi encomendada pela bruxinha Zuleide. Batizei-a com este nome, porque o que anda acontecendo nesta biblioteca só pode ser coisa de bruxinha chamada Zuleide.
Desculpe-me, não faço por mal, antes pelo riso e sorriso da Ira. É que há dias, numa noite caliente de vendaval nestes cantos de Sampa, assucedeu-se uma desgraça: a nossa amiga Luciene ao chegar em seu ínfimo lar, porém aconchegante, quis acender a luz, que não se manifestou. Ajustou então, o olhar à escuridão e qual não foi a sua surpresa ao perceber que o teto da sua sweet home havia despencado corroído por cupins. Inseto ou animal, ou sei lá que classificação dar a este vil personagem, muito comum nesta cidade.
Imagino o seu desespero, desânimo e tristeza ao ver todos os seus pertences em meio ao pó e pedras, quebrados, rasgados e perdidos para sempre. Imagino também o choro desesperado diante de tal catástrofe, e o que uma fumante podia fazer aquela hora, se não sentar-se ao meio fio e fumar, tragar o mundo bestialógico de injustiças? Eu faria o mesmo.
Mas nem tudo estava perdido, pois a Ira num ímpeto de bondade ofereceu-lhe guarida em sua modesta casa, a única condição era agüentar a Ira falando pelos cotovelos. Sem saída, aceitou o convite e lá foi a Luciene de mochila e cuia (a única que sobrou) em cima do seu salto plataforma, aboletar-se na casa da amiga.
Deus não tem culpa se levaram o carro da Lisely, se a carteira da Dina e as tintas da Rita sumiram, se levaram todos os toca-fitas da Lisely (de novo?), se chove na cama da Emily, se a Edla escreve de ponta cabeça, se a Let’s continua fazendo e não pagando promessas, se o teto do quarto da Ira também desabou e se todo mundo abona no mesmo dia.
Por isso concluo: Isso só pode ser coisa da Zuleide!

1/12/2006

12 - Homenagem ao meu Rei.

Estou deveras triste, pois o meu rei, o meu muso, a minha fonte de inspiração, o Rodi se vai. Vai nos deixar e agora? quem vai encher o meu carrinho de livros, que quando estou prestes a esvaziá-lo, vem e diz:
- Ó, estes são compras.
- Estes têm produção científica.
- Estes estão pedindo com urgência.
- Este, não cabe no armário.....
E assim por diante, sempre com uma desculpa para encher o meu saco, ops, o carrinho. Mas às vezes o meu rei é um doce, me trás, junto com uns livrinhos, um bombom para adoçar a minha vida...
Mas só ás vezes!!!

Pois é, aquele baianinho que um dia largou o sol e a vida lenta de Salvador e veio de mala, cuia e papagaio, para tentar a sorte na apressada São Paulo, se deu bem, de tombador de livros virou um mestre filósofo ou será um filósofo mestre? Sei lá, pergunta pra ele.
Trabalhou por anos numa biblioteca obviamente cheia de mulheres, feito um paxá no seu harém, ainda que este harém não fosse lá essas coisas.

E foi nos primeiros dias de janeiro de 2006, ano do cachorro! que o Rodison chegou para a Emily e disse:
- Emily, ó, assim.. é que, então, eu fiz um concurso para professor...
- Que?! Peraí – arrumou a mesa, fechou todas as janelas do windows, desligou o celular, olhou para aquele ser pensante que a aguardava e disse: - Pode falar.
- Então, como eu estava falando, prestei um concurso ...
- Como? Concurso? De quê?
- Con-cur-so para ser pro-fes-sor no Es-ta-do...- falou meu rei, pau-sa-da-men-te tentando ser o mais suave possível com sua chefe, mas não adiantou muito.
- Mas então você vai nos deixar? Vai pedir demissão, peraí a gente pode ver com a Eliana, ou no DP, ou com o diretor, ou na Reitoria, para não perder o seu FGTS!

Com toda a paciência e a pressa baiana que Deus lhe deu, ele continua:
- É o que estou tentando lhe dizer...e...

Emily se agita, levanta da cadeira e solta um Ai Meu Deus! Não posso ficar sem você!
- Quem vai tombar? Quem vai destombar? Quem vai te substituir? Quem vai me agüentar? Quem vai controlar as compras? Quem vai preencher os pedidos? Quem vai atender o telefone? Quem? Quem? Quem vai?

E continuava agitada, anda pra lá e pra cá, toma um copo d´água, chama a Eliana:

- Eliana! O Rodison vai embora!
- Edla! o Rodison vai ser professor!
- O Rodison vai nos deixar!
- E agora Rodison? Como é que vai ser?

Estava para ter uma síncope cardíaca, um piti dos bons, então, ele suspira um suspiro profundo e diz:

- Diante de tantas perguntas as quais não sei se vou poder responder, assim, então, você Emily, tem que entender. As coisas mudam, a vida muda, as pessoas mudam e eu, não sei, é a vida. Um dia a gente está aqui, noutro ali, qualquer ser pensante é dialético e eu sou um ser pensante. Penso, logo existo e eu existo, sabe? estou aqui, Emily.... em carne e osso, ao vivo e a cores, sabe? assim, então, quero dizer, que todo este tempo que trabalhei aqui foi ótimo (frisando bem o óóó) as pessoas são ótimas, trabalhar com livros é ótimo, mas a minha vida está mudando, eu estou mudando, as coisas mudam. Veja bem, durante anos a minha aparência foi mudando, eu tinha cabelo, por exemplo, no meu interior agora sei nadar, mudei de casa e agora vou mudar de emprego. Então, assim. Ta.

Parou um pouco para respirar. A Edla só foi capaz de responder : É tudo muda....e continuou lendo o email da filha dos Estados Unidos, que mandou uma nova foto da Sofia.
A Emily continuava sem som. A Célia sem palavras, a Eliana bebendo água, a Vila atendendo ao telefone e a Regina sorriu e disse: É isso aí companheiro!

Meu rei olhou para o relógio:
- Então gente, vou tomar café.

E se foi deixando o seu pequeno harém boquiaberto com as suas profundas palavras.
E eu só fico aqui pensando, quem é que vai por ordem naquelas malditas doações.

Ah! Meu rei! Me deixe não.

Letícia 30/01/2006

13 - O dia que a Let’s pirou ou piorou

Era uma vez uma Let’s tranqüila que trabalhava no seu mundinho de processamento de uma famosa biblioteca. Classificava os livros que queria, do jeito que queria. Inventava mais trabalho para ela e também para outros setores.
E assim caminhou a sua humanidade por cinco aprazíveis anos.
Mas eis que um dia uma superbibliotecária veio convidá-la para mudar de setor, (para substituir outra super), sabe aquele Puf de rodinhas? É, foi ela quem a convidou! propôs novos trabalhos, novos desafios, uma nova era na sua vida-besta. Os olhinhos da Let’s brilharam! E ela pensou, pensou, pensou: era um novo desafio, vou ou não vou, eis a questão!
Ela foi.
No começo tudo parecia um paraíso, a Neusa foi ensinando, a Rosilene dando as dicas, a Ira rindo.... No início, o rítmo de trabalho era nem lento e nem super-rápido, era quase rápido, porém a Let’s foi agüentando o tranco e achando que a vida era aquela beleza....
Mas como nem tudo são flores e nem paraíso, o povo do setor de projetos começou a mostrar a sua cara. Começaram pisar fundo no acelerador e a rodinha zuuummm ia pra lá e pra cá e a Let’s foi entrando no furacão, vulgo Puf roxo, rodando no centro do tornado, em meio a tempestades de usuários, projetos, cds, vídeos, mapas e tudo o que havia ali. Os cabelos começaram a arrepiar.
E a Neusa com aquele jeitinho manso de falarbaixinhorapidinhoquemonitornão
podeveremailvocênãopodenavegartemquetrabalhartemquechegarnahoratemquesercompetentetemquefazerexposiçãoindexarprojetovideocdmapafotografiaosaltofazendotoctoctocmontacdhomepage-respira-tomaáguacafécháfazxixivoltapramesanãorespiraatendedesaprende
stresspira - respirafundo- e BUM!
A Let’s pifou!
A Rosilene correu para acudir, abanava, trouxe um remedinho:
- Ira ajuda aqui...
Ira rindo: - Ajuda aqui, hehehe.
- Levanta um pouco a cabeça.
- Levanta a cabeça, hehehe, a Valéria já fez isso comigo....
Não pode continuar, pois a chegada das três Marias causou um alvoroço, a Mony-Maria foi logo gritando:
- Vocês estão loucas?! Não mexe no corpo, ninguém mexe até o bombeiro chegar.
Edla-Maria dá um palpite:
- Deve ser a escoliose ou a lordose mas parece mais esclerose, isso aconteceu com uma amiga minha.
- O quê? O que você disse?
A Edla vai abrir a boca para explicar o acontecido para Emily-Maria, mas é interrompida:
- Peraí, deixar eu aumentar o volume do meu aparelho.
- EMILY! A LET´S PIFOU.
- Quê? Peraí, ainda não sintonizei direito, quem fez isso com ela?
A Mony bufa, a Edla desiste de explicar e vai para a copa preparar um chazinho rosa, neste momento a Satiko entra na copa e pergunta:
- Huuummm, o que você está fazendo.
- Um chá rosa pra Let´s que pifou.
- Chá? Huuummm. Olha a caixinha, cheira, põe o óculos e vê o preço!
Cruzes você pagou tudo isso? Lá em Atibaia tem chá rosa, verde, amarelo, azul, todas as cores, bem baratinho...
E a Let´s continua lá, estatelada no chão esperando socorro. Os outros colegas de trabalho estão voltando do almoço e aos poucos vão se aglomerando em volta daquele corpo largado e arrepiado no chão amarelo-frio.
A Lisely tem um choque ao adentrar pela porta de vidro e deparar-se com a cena inusitada, solta sua voz de menina-direita-de-colegial-de-alguma-Nossa Senhora:
- Coitada, como vocês a deixam assim? Agacha e arruma a roupa, escova os cabelos arrepiados
- Pronto agora sim, pode chamar o bombeiro.
A Célia pega um almofadão estampado, não o Puf é claro, acende um incenso, senta ao lado do corpo e começa um ritual reikeano energizante.
- Deus manda fazer sexo só para procriar, mas acho que o caso dela é urgente pra relaxar, aconselha a conselheira irmã Araci.
- Que sexo nada! Se ela tivesse três gatos, quatro cachorrinhos, cinco peixes, um papagaio, umas tartarugas e fizesse piquete não estava aí estatelada. Resmungou a Regina.
Da janela a Rita grita: Ô Let´s vem fumar um cigarrinho aqui na janela, que esse piti passa!
Mas o Rodison não se conforma:
- Ah, se fosse comigo... eu nem deixava isso acontecer, porque as coisas não são assim, tem muita coisa fora de lugar na minha mesa, na minha casa, na minha cabeça, mas sabe, sei lá, isso é uma absurdo!
A Eliana ao passar pelo Projeto em direção à copa, vê aquele tumulto e pergunta: o que acontece? A Rosilene tenta explicar, a Ira ri, todos falam ao mesmo tempo, mas a Mony põe um ponto final falando mais alto e resume a história dizendo que o bombeiro logo chegará.
- Bom já que está tudo resolvido, je suis desolée, e como aqui não é lugar para tumulto, dispersem, deixem as duas resolverem o problema. Elas que se entendam.
E dirige-se para a copa acompanhada da Vila, que também arrisca mais um palpite para a situação:
- Acho que ela precisa comprar um produto da Avon ou da Natura, pode ser também um calcinha. Qualquer coisa, contanto que compre.
A Dina não viu nada porque ainda não chegou, a Rejane não se interessa pelo tumulto porque já sobrevive num, oito horas por dia.
Mas eis que chega a causadora do piti da Let´s, a chefe supersônica-atômica-Neusa. Entra calmamente na sala, guarda a bolsa, engata a primeira,a segunda pula pra quinta e atendeumalunofalacomaRosileneemprestaumCDescaneiaumafotoolhaaquilonochão e cai na gargalhada:
- Coitada! A Let´s pifou e o trabalho nem começou!
Aquele corpo estatelado, arrepiado, estendido no chão, que pensava em levantar-se, ao escutar as palavras sábias do conhecimento milenar japonês, achou melhor não arriscar mexer nem os cílios, era mais prudente esperar pelo o bombeiro.
Quem sabe ele a tirava daquela enrascada e valesse a pena a troca.
Mas ainda falta um personagem!
Prof. Katinsky chega beijando todo mundo e dando as alfinetadas;
- Ah, ha! Ninguém está trabalhando, tá todo mundo aqui conversando.
Mas antes que alguém lhe dê uma resposta ele emenda:
- Tem café? Tem bolo?
Alguém responde:
- Tem professor, o bombeiro chegou, a Let’s melhorou e vamos festejar.


Letícia 30/8/2005

14 -Vocabulário descontrolado [versão 2.1.]

(atualizada a pedido do termo geral, i.e., Vânia)

Vânia, termo relacionado a João que é relacionado ao Computador.
Termos específicos: Bia e Renan.
Bia, termo relacionado de Renan e específico da Vânia e João.
Renan, específico da Vânia e João, relacionado com a Bia.
Vânia: usada para trocar fraldas, buscar filho na escola, fazer compras no Macro, organizar festa dos filhos, distribuir convites, montar um vocabulário, pegar no pé da Iracema (a mão não pode porque está ocupada com as garrafas térmicas), em casos específicos e de urgência, pode também ser usada para substituir a diretoria.
Vânia, mestre em terminologia*, ciência que coloca palavras numa ordem estranha, hierarquizada numa tal árvore, i.e. uma palavra debaixo da outra, relacionada com outras, específicas ou gerais de outras, com definições quando for preciso.
Vânia, que deixou muita bibliotecária de cabelo em pé para fazer um tal vocabulário controlado, ou seja, colocar um montão de palavras e/ou termos numa árvore terminológica**, i.e., aquilo que expliquei anteriormente.
Let’s, relacionada com ninguém, geral da Sofia. Termo descontrolado que está tentando explicar terminológica e semioticamente o termo proposto no início do texto, ou seja, isto é, a Vânia, mas como ultimamente anda sem fundamentos informacionais, acha que o texto acima tá bom demais e terminará o assim:
CQD (como queríamos demonstrar)
É o fim!


Letícia 23/09/2002
* leia-se: Mestre em Análise Documentária
** leia-se: Árvore hierárquica

15 - Super Vila contra o malvado Mario Bross

Era uma vez a Vila (e o Betinho também). Não se pode falar de um sem falar do outro.
Vila-e-Betinho, Betinho-e-Vila, dois em um, um em dois, vice-versa ou versa-vice, dá no mesmo. Mãe e filho, filho e mãe. Tão silencioso que às vezes, nem percebemos que os dois estão na sala. Por acaso, você já escutou o Betinho falando bom dia? Ou mesmo a voz dele? Eu também não.
Foi numa dessas manhãs frias de primavera-inverno-verão paulistano, que escutamos um GLUF, POF! Um barulho de alguma coisa engolindo alguma outra coisa, mas não demos bola, e os micros travaram, até aqui, tudo normal.
Eu, impaciente, apertei o botão e pof, desliguei e religuei o micro na marra, Mony passou um anti-vírus, Emily afoita só perguntava:
- Gente! O que estava acontecendo? Olha aí o meu micro travou de novo!
O Rodison na sua baianice, foi dar uma voltinha, Edla só falava: geeenteee, maaais ooo queeee eestáá acoonteceeendooo??? E foi tomar um chazinho vermelinho
A Rejane deu um grito! Vila! Ô Vila! Cadê a Vila? E andando depressinha no seu passo apertadinho correu toda a biblioteca a procura da Vila e nada.
Foi aí que todos deram por falta da Vila e do Betinho ou Betinho e Vila? Tanto faz a ordem, pois não altera o produto.
A Vânia, que estava passando pela sala, parou, pôs as mãos nos bolsos da calça e falou na maior tranqüilidade. Vocês já perceberam que toda bibliotecária daqui é tranqüila?
- A Vila está dentro do micro! Olha ela lá! Está dando tiro no super Mario para salvar o Betinho.
Todos correram para frente da tela do super-avião-micro da Mony e foi um auê:
- Olha ela lá!
- Sai daí, Vila!
E lá ia a Vila pulando foguinhos, atirando em monstrinhos, ganhando e perdendo vidas, saltando pontes, correndo de espadas, facas e mais monstros.
(Um parêntese: para dar mais emoção, vocês leitores, imaginem em suas cabeças ou ouvidos aquela musiquinha chata de todo joguinho: tchun, tchun, tchun. Os mais velhos, que não conhecem essas musiquinhas lembrem-se da música do Canal 100, parará pá pá pá, pá, parará pá pá pá pá... que tá bom demais!. Fecha parênteses.)
Aí começamos a torcer pela Vila:
- Sobe! Desce! Não, não, mais para a direita, agora vira, para a esquerda! Esquerda, nããooo!
- Xiii, perdeu vida...
- Vai de novo, olha o monstro atrás!
Mas tínhamos que abreviar esta aventura, ajudá-la a salvar o Betinho e terminar esta estória logo! Mas como faríamos? Ninguém ali era bom nesses malditos jogos e corríamos o risco de matar a Vila antes do tempo.
Tínhamos que matar todos os monstrinhos de uma vez só. A Vila, pra lá de cansada, veio até a tela do micro, botou o carão na super tela do avião-micro e gritou:
- Só há uma maneira de vencer a todos, coloquem uma música mais insuportável que esta que está tocando.
Música? Mas qual? A Emily sugeriu Bethoveen, o Rodison a Betânia, a Lisely uma valsa, a Dina um pagode e assim ficamos discutindo qual seria a melhor ou pior música que a de um jogo de computador. Mas a Ira, santa Ira! Apareceu com o Cd É o Tchan. (disse que era da neta....huumm, sei não...) Foi uma gritaria e entusiasmo geral, salva de palmas, batidinhas nas costas da Ira, etc e tal...
Mony, mais que depressa colocou o Cd no seu super-avião-micro.
Nem monstrinho agüenta!
“Segura o tchan, amarra o tchan e tchan, tchan, tchan....”
Todos os monstros estatelaram-se no chão, as pontes pararam de se mexer, os jacarés serviram de pedras para saltar nos rios e a Vila pode chegar ao fim e salvar o Betinho das amarras do Super Mario Bross!
Os dois saíram de lá de dentro do micro, meio sujos e cansados, porém felizes.
(Acho que o Betinho levou uma bronca,mãe é mãe, né?)
E Ueba!!! Isso merece um bolinho com café e chazinho vermelinho.

Leticia 24/09/2002

16 -Chá das cinco

Estamos em algum lugar do passado misturado com o futuro.
Eram 5 horas da tarde, uma linda mesa havia sido posta para servir o chá das 5. Sobre a toalha de linho branco, estavam as pratarias e o jogo de louças inglesas para servir o chá de jasmim, docinhos, bolinhos e camafeus. A futura diretora da biblioteca estava recebendo alguns ilustres convidados em sua casa, como por exemplo, um tal de Artigas, o Ramos de Azevedo, Raminho para os amigos, uma moça Lina, o Oscar e o jovem Othake.
Entre uma mordida e outra, um gole e outro, a nossa anfitriã soltou o verbo:
- Meu caro Artigas, já que o senhor ainda está desenhando a futura sede da Faculdade de Arquitetura, gostaria de dar umas opiniões, afinal em 2002, estarei como diretora da biblioteca e precisamos discutir alguns pontos....
Mas ela foi interrompida pelo amigo comunista, Oscar:
- Ao meu ver, está faltando um pouco de irracionalidade e imaginação, por exemplo, umas curvas femininas, uns peitinhos, umas ancas...
- Bah! Replicou Raminho. E o anfiteatro? O que você pretende com aquilo? Mais parece um porão!
O senhor Artigas não se conteve:
- E o seu teatro? da platéia não se enxerga nada! Quer coisa pior...
- Para mim está faltando uma cor, que tal um roxo ou lilás? E o nome da Faculdade em neón! Ficaria bárbaro - sugeriu o japonezinho Othake.
- Peraí gente, reclamou a bibliotecária, também loira e possivelmente econômica, estamos aqui para discutir coisas práticas e não as curvas e cores. E voltando-se para o autor do projeto: quero te avisar, pense bem como farás o banheiro para funcionário, pois sei o muquifo que será, um horror!
- Minha cara futura diretora, antes de mais nada, podes me passar os petit-fours? E continuou: agradeço os palpites, mas a minha intenção neste prédio é que qualquer tipo de manifestação seja ouvida em todos os cantos, qualquer som, qualquer palavra...
- Sim! A amplidão da liberdade! interrompeu Oscarzinho.
- Um vão mais que livre. - pensou a senhora Lina.
- Quero lembrar também que o prédio não oferecerá nenhum conforto térmico, aliás será uma enorme geladeira e nos obrigará a usar luvas de dedos de fora para trabalhar. A gente fica parecendo mendigo de filme europeu, outro horror!
Os convidados arregalaram os olhos! E Ela continuou:
- E tem mais, acho bom o senhor aumentar a área da biblioteca, afinal todos os projetos que vocês farão eu terei que dar conta da preservação, principalmente o seu, meu querido amigo Ramos.
- Mas o projeto já está pronto! E foi aprovado em todas as instâncias, não posso mudar mais nada.
- Então mude o sol de lugar, sugeriu Othake com um riso irônico.
Acontece que todas aquelas opiniões já estavam deixando o Senhor Artigas nervoso, ele pediu licença para ir ao banheiro e durante este período os outros convidados continuaram a confabular, criticar e a fazer tititi. Ao retornar o Artigas pediu silencio:
- Meus caros amigos, enquanto estive fazendo as minhas necessidades, cheguei a seguinte conclusão: vou inverter o prédio, assim o sol incidirá na biblioteca, pensarei num banheiro decente, na fachada colocarei uma escultura em néon cheia de curvas. Então até logo que tenho muito a fazer.


Se este encontro memorável aconteceu ninguém sabe.
Se aconteceu, o arquiteto não acatou nenhuma sugestão.
Se não aconteceu, teria sido bom se tivesse acontecido. Deu pra entender?

Letícia 1/10/2002

17 - Descartando setembro

Não era 11 de setembro, mas era setembro..... Primavera? Dia quente de sol? Chuva? Sei lá meu! Não lembro como estava o tempo lá fora, só lembro que aqui dentro, o tempo estava fervendo!
Quando cheguei na biblioteca ela já estava trabalhando. É óbvio que já estava lá, pois sempre chego depois...
Com toda a sua aflição, fazia tudo ao mesmo tempo: atendia aos telefonemas, reclamava do micro que não funcionava, falava com as colegas de trabalho, selecionava e descartava os livros... huuummm...acho que foi isso que a fez ter um piti.
Aquela manhã de setembro, nenhuma torre caiu, nenhum Carandiru foi inaugurado, nenhuma multidão foi assassinada, somente um colega desapareceu misteriosamente.
A Emily estava nos dias, no dia do descarte e nós sabemos que ela é um arraso nesta arte e como!
Logo cedo a Emily se pôs a executar a tarefa: pegava um livro, abria, via a ficha de empréstimo e pensava: - esse livro nunca saiu, descarte.
- Esse aqui saiu só em 1996... e este então? Em 88!
E ZAP! Como o Zorro que passava a espada no estômago dos inimigos, a Emily passava a espada do descarte nas estantes.
- Descarte, descarte, descarte.
E o Rodison, como o heróico Sancho Pança, foi obedecendo à suas ordens e separando os livros.
O dia foi passando e a gente começou achar que ela estava exagerando, mas ninguém tinha a ousadia de falar que não era preciso limpar o acervo daquele jeito.
E a Emily na empolgação foi descartando, foi descartando... ao final do dia 80% do acervo estava no chão para doar à alguma biblioteca.
- Ufa! Missão comprida. Rodison! Pode levar tudo lá para dentro para descartar...
Mas ele não respondeu.
- Rodison! Rodison? Cadê vocêêê???? Gente o Rodison sumiu!
Foi uma polvorosa, cadê o Rodison? Onde ele se meteu? E todos nós começamos a chamá-lo, a procurá-lo, até que alguém ouviu um pedido de socorro lá loooonngeeee, bem baixinho...
- Socorroooo..................
Alguém gritou :
- Achei o Rodison! Ele está aqui no 711.4098611293827364!!!!! está embaixo de tudo!!
- A Emily descartou o Rodison!
- AAAhhhh, Emily, ele ainda serve pra alguma coisa...
Ela tentou se explicar:
- Gente! O Rodison não! Eu me enganei, ele fica, põe na estante de novo!
Tiramos o nosso querido baianinho dos escrombos livrescos, não era um Trade Center, mas chegava perto, diante da cara amassada e do corpo amarrotado do nosso heróico ajudante de descartes.
Nada como um café da Iracema para recuperar as energias do Rodison, afinal só ele não foi descartado, o resto foi....


Letícia 20/09/2002