Mostrando postagens com marcador bibliotecaria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bibliotecaria. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de outubro de 2010

Um email


Hoje vou transcrever um email que recebi de uma colega. Acho que jamais conseguiria descrever tão bem o dia-a-dia do processamento técnico de livros de qualquer biblioteca. Para não entregá-la não direi o seu nome nem qual biblioteca.

Letícia do meu heart e eu lá com os livros, com fornadas de livros, ninhadas de livros, toneladas, que eles estão se reproduzindo feito porquinhos da índia, não sei mais o que fazer, onde me esconder.  O Setor de Aquisição tentando empurrar para a nossa porta engradados de livros, e eu tentando jogá-los devolvê-los novamente (pela janela se sabe que é impossível, elas tem grades). E são reposições de livros com livros roubados de outras bbs (sim, acontece isso tb), livros faltando pedaço, livros roídos, cuspidos e mordidos, rabiscados e xixizados. Livros indecifráveis, inclassificáveis, livros escalafobéticos, livros assustadores, livros a puta que o pariu, livros psicodélicos, livros incredibles, livros nada sintéticos.... porque livros arroz com feijão e farofa não aparecem, só essas coisas meio óvnis, multiculturais e trans-über-porra-loucados.

quarta-feira, 12 de março de 2008

3 - Meia Nove, a melhor idade.

Trabalhar na USP é pior que participar do Campeonato Brasileiro de Futebol, se este é uma caixinha de surpresas, aquele é uma implosão de emoções, que são tantas e capazes de arrepiar os caracóis de nossos cabelinhos com escovas progressivas.
Era uma segunda-feira ensolarada de janeiro, repito, dia do meu rodízio, dia que fico trupicando nos pés e batendo a cabeça de tanto sono. Geralmente sou que nem corno: o último a saber, mas neste dia estava completamente outsider e não percebi o zumzumzum do lado de lá da minha sala.
Aí para saber do acontecido, a Mony teve que me ligar em casa já a noitinha, deixando seus filhos de lado – coitados- berrando pelo jantar! só para contar que as nossas queridas beach-girls e a conselheira para assuntos diversos, vulgo, Emily, Edla e Araci respectivamente, receberam uma carta da Reitoria lembrando-as – e precisava lembrar? – que completarão 70 anos e por conseqüência, serão aposentadas querendo ou não. Foi uma choradeira. Cruzes, eu disse, fudeu.
Foi um tremendo choque, uma falta de ética revoltante, falta de sensibilidade, falta de etceteras, não só porque espalhou para o mundo! que as meninas estão no meia-nove, como também serão praticamente expulsas desta magnífica instituição; como se as nossas super-hiper-mega-blasters girls não tivessem mais utilidades.
Ficamos catatônicos. E agora quem vai nos servir chazinhos vermelhos e rosas? Quem vai nos atualizar com as novidades do mundo fashion? Quem vai comprar revista pensando que é livro? E a tia Sumaya? Como é que fica? Quem vai nos interromper de 5 em 5 minutos: - Ki Ki é bem? Não escutei [aí a gente repete a conversa desde o início, que nem sempre chega ao fim].
E eu, que ficarei sem a minha consultora para dias melhores que estão por vir? Vocês sabem que a Araci é uma ótima conselheira para todos, outros e quaisquer assuntos, principalmente os sexuais. É só mentalizar a coisa que você quer, que pimba! Dá certo. Juro que estou tentando.
A Edla com aquele bronzeado de rica, que pobre não bronzea, tosta; caiu em prantos: quem vai cuidar do meu Kardex? Buááá´. Mas como uma lady já deu a volta por cima. Decidiu esquecer este momento 69 deprê e vai dar um rolê logo ali nos unaites estades.
A Emily, também com o bronzeado ubatubense de gente fina, ficou um pouco mais aérea e não sabia se ia ou se vinha, mas não chorou. E nós não percebemos muita diferença no seu comportamento.
Já a Araci foi mais racional: pôs as cartas na mesa, digo, todos os santinhos que podemos imaginar, fez uma prece pra Deus Nosso Senhor, Nossa Senhora, Santa que desata nós, santo Expedito, São Jorge, Nossa Senhora de Aparecida, ufa! E fez um contato imediato para a filha verificar na reitoria, como é que é esse babado.
Segundo investigações sigilosas, a aposentadoria compulsória é para autárquicos e elas são CLTs e só sei que nesse vai e vem de notícias desencontradas elas estão se fingindo de mortas, no deixa como está pra ver como é que fica.
Porém, esta situação está deveras me preocupando, já levaram a Eliana, até o fim do ano quiçá, irão as três meninas, a Rejane saiu do processamento técnico foi para o empréstimo que já deu no saco e agora foi trabalhar com a Neusa. Daí pra rua é um pulo, cuidado! Nesse troca-troca a Regina saiu de trás e foi pra frente, para perto da porta de saída. Eu to de olho na Fau Maranhão. Desse jeito vamos ter que por a plaquinha:

O último a sair, favor apaguar a luz e tudo leva a crer que será um morcego.

26/02/2008

14 -Vocabulário descontrolado [versão 2.1.]

(atualizada a pedido do termo geral, i.e., Vânia)

Vânia, termo relacionado a João que é relacionado ao Computador.
Termos específicos: Bia e Renan.
Bia, termo relacionado de Renan e específico da Vânia e João.
Renan, específico da Vânia e João, relacionado com a Bia.
Vânia: usada para trocar fraldas, buscar filho na escola, fazer compras no Macro, organizar festa dos filhos, distribuir convites, montar um vocabulário, pegar no pé da Iracema (a mão não pode porque está ocupada com as garrafas térmicas), em casos específicos e de urgência, pode também ser usada para substituir a diretoria.
Vânia, mestre em terminologia*, ciência que coloca palavras numa ordem estranha, hierarquizada numa tal árvore, i.e. uma palavra debaixo da outra, relacionada com outras, específicas ou gerais de outras, com definições quando for preciso.
Vânia, que deixou muita bibliotecária de cabelo em pé para fazer um tal vocabulário controlado, ou seja, colocar um montão de palavras e/ou termos numa árvore terminológica**, i.e., aquilo que expliquei anteriormente.
Let’s, relacionada com ninguém, geral da Sofia. Termo descontrolado que está tentando explicar terminológica e semioticamente o termo proposto no início do texto, ou seja, isto é, a Vânia, mas como ultimamente anda sem fundamentos informacionais, acha que o texto acima tá bom demais e terminará o assim:
CQD (como queríamos demonstrar)
É o fim!


Letícia 23/09/2002
* leia-se: Mestre em Análise Documentária
** leia-se: Árvore hierárquica

22 - Cuidado: ao pó retornarás!

Mônica Arruda Nascimento. Nome forte, de peso e ela faz jus ao que lhe pertence.
Uma dica: não pise no calo dela, pois se um dia você pensou em ter um, ela já cortou o seu dedo e jogou pela janela.
Monyfau para os íntimos, Mony para os mais ainda. Assessora para assuntos gerais, específicos, profissionais e compras. Se você não sabe qualquer coisa, pergunte a ela e terás a resposta na hora.
Isso aconteceu no mês de setembro, é setembro, o mês que quase foi descartado, mas também é o mês do inferno astral da Monyfau (ainda não sou tão íntima assim).
Lá estava ela pilotando a supertela do seu micro que mais parece um avião. A Edla contando as últimas viagens, a Emily pedindo socorro porque o micro pifou, a Let’s enchendo o saco com a produção científica, a Rejane escutando no último volume o seu rock pauleira, o Rodison reclamando da vida, a Vila, bem a Vila pode fazer o que quiser que ninguém escuta, a Dina radiando os últimos acontecimentos. Parecia tudo tranquilo, tudo normal, mas isso é o normal.
Mas a Mony no inferno astral não é normal. Se normalmente ela está com a macaca, imaginem a macaca no inferno! Sai da frente que atrás vem a Monyfau.
Não sei por que cargas d’água um infeliz aluno veio reclamar da produção científica, pode? Reclamar alguma coisa com a Monyfau? Ele estava pedindo para ser massacrado, entortado e reduzido à pó.
E como boa cristã que ela é deve ter pensado na frase: se viemos do pó ao pó retornaremos. Desfiou o rosário, falou, gesticulou, bradou, botou os pingos nos is e o coitado no lugar a que lhe pertencia: a de simples aluno:
- Que vá reclamar para a vovozinha dele! Hora vejam só, se estou aqui para escutar uma coisa dessas. Me poupem!
E agora! Pensamos. Quem vai ter a coragem de sacudir a Mony? Se só ela foi capaz de trazer a Lisely daquele transe! Confabulamos mil hipóteses:
- Que tal um café?
- Não, acho melhor um bolinho...
- Uma água com açúcar.
- Hii, isso não resolve.
Mas desta vez foi a Edla quem nos tirou do sufoco:
- Já sei, peraí, vocês vão ver.
E lá foi a Edla em direção à Mony com toda a calma que Deus lhe deu. Ficamos ali espreitando a sua reação e com receio do que poderia sobrar para nossa loira colega. Mas a Edla sabia o que estava fazendo:
- Mony?.....o que você acha da gente ir naquela loja de sapatos na hora do almoço?
Fez-se um tremendo silêncio. A Mony estava pensando, registrando a pergunta. Ela parou de falar com o coitado do aluno, virou-se para a Edla e respondeu:
- Sabe que é uma boa idéia? Estou mesmo precisando completar a minha coleçãozinha de sapatos. Que legal! Será o número 239, mês que vem completo 240 sapatinhos...
Enquanto ela falava com a Edla, pegamos o garoto pelo cangote e sugerimos que se mandasse imediatamente se não queria retornar ao pó.
E tudo voltou ao normal, a Let’s enchendo o saco, a Rejane escutando um sonzinho, o Rodison reclamando e o resto na copa comendo uma bolachinhas, pães, doces, bolinhos, etc, etc...Ah! e o café da Ira!
A Imelda que se cuide!


Leticia 20/09/02

23 - A Costureira maluca

Lisely, moça fina, criada num dos melhores colégios de São Paulo. Desde cedo aprendeu a cozer, cozinhar, bordar, tocar piano, recebeu a mais fina educação que uma tradicional família paulistana pode oferecer aos seus pimpolhos. Jamais diz um palavrão e se o diz, parece um elogio em seus lábios ( ela é tão fina que a palavra boca não cairia bem nesta frase)
Casou-se com um rapaz de fino trato, bom partido, como mamãe queria.
Tornou-se bibliotecária, mas escolheu dentro desta profissão, trabalhar com restauro e higienização das obras raras e/ou despedaçadas.
Uma das suas atividades é costurar umas malditas pastinhas contendo xerox de textos malditos - viu como é bom aprender a costurar desde criança? E a Lisely adooooraaaa costurar. Costura pasta, costura livro, costura lombada, costura envelope, costura etiquetas, costura, costura, costura.
Num dia lindo de sol, verão, calor, daqueles dias que o vapor sobe do asfalto e tudo treme, sabe? Sim, aqueles dias torrificantes tropicais de sol escaldante em que as nossas cabeças pesam, dilatam-se tanto que as idéias parecem que estão espremidas no cérebro. Pois é, foi num dias desses que aconteceu algo de estranho na FAU:
A Lisely chegou um pouquinho atrasada, com os cabelos molhados e ainda por pentear e começou a trabalhar.
Passou a linha no buraco da agulha, deu um nó e começou a costurar as pastinhas. Como eu precisava de uma dessas malditas pastinhas, me encaminhei à sua sala, mas no caminho encontrei algumas colegas voltando de lá com a boca estranhamente fechada.
Dei bom dia para a Iracema, ela respondeu hum, hum. Dei bom dia para a Neusa, recebi a mesma resposta, encontrei a Rosilene e o mesmo aconteceu, a Rita, a Satiko, a Vânia, todo mundo me respondia Hum, hum!?
- O que se passa? Perguntei a mim mesma....
Quando entrei na sala da Lisely encontrei uma bibliotecária transformada: com a agulha e linha na mão, a vi costurando a boca de mais uma colega!
Pedrifiquei-me.
Com aquela voz suave, me convidou para sentar:
- Oi, Let’s, senta aí que você será a próxima, você sabe como eu adoro costurar..
Mas eis que por um milagre chegou a Mony para me salvar. Só ela poderia nos salvar!.
Só a Mônica poderia catar a Lisely, dar-lhe um esculhambo, a sacudir tanto até seus lindos cabelos molhados secarem e a deixa-la mais descabelada.
E foi assim que a Lisely saiu daquele transe de costureira maluca!
Descosturar a boca de todo mundo foi duro, mas deu tempo de comer o bolo de aniversário de alguém.

(Parece um sonho...mas é bom ter cuidado com essas manias da Lisely...)

Letícia 19/09/2002

25 - A economia da loira

Edla, linda e chiquérrima em seus modelitos rosinha, verde-água, azul clarinho, sapatinhos coloridos e bicos finíssimos. Mãos delicadas e reluzentes de tanto ouro.
Fala mansa, gestos contidos, nunca perde a classe quando contrariada, enfim, a lady do Butantã. Não! não é das cobras que estou falando é do bairro, e qual é a mulher que não solta um veneninho???
Ótima economista, se ela acha que a assinatura de uma revista é cara não compra e c’est fini.
Certa vez um professor doutor, provavelmente diretor de alguma coisa e presidente de alguma comissão, qual professor não é isso tudo? Encasquetou que queria uma assinatura de uma revista caríssima e carrérima para a biblioteca.
A Edla com toda a calma, loirisse e boa educação que Deus e a mamãe lhe deram, tentou persuadir o doutor que era im-pos-sí-vel assinar. Mas ele teimava que aquele título era importante e ela respondeu:
- Não assino.
Ele: -assina.
Edla : - Não assino.
- Assina.
- Não assino.
- Assina!
- Não assino, não assino e não assino e c’est fini!
O doutor babou, mas teve que ceder aos encantos da loiríssima-inteligentíssima e educadíssima bibliotecária-madame.
“Tá pensando o quê? Até o Praaaadoo anda na linha, que dirá um reles doutor!”
- Vou fazer pipoca!
Obs: esse é o único problema da nossa colega, quando inventa de fazer pipoca no microondas da biblioteca, o alarme dispara, aueis! (Always)

Letícia 23/09/2002

27 - A bibliotecária sem senso

Ser bibliotecária não é fácil. Ainda na faculdade, um professor disse que o bibliotecário(a) tem que ter bom senso - o que será que ele queria dizer com isto, meu deus?
Há pouco tempo um engenheiro, só podia ser esta raça boba, nos comparou a um bombeiro, não no sentido de segurar a mangueira, mas da boa ação, de se estar sempre solícita, de tentar de todas as maneiras resolver a questão de um cliente/usuário/consulente/pessoa e sei lá mais que nome dar a essa pobre criatura.
Conheço uma bibliotecária que tem todas essas qualidades e mais um pouco. Resolve tudo, acha tudo e mais um pouco, despenca a estante na maior naturalidade.
Certa vez vi um pobre rapaz/consulente/usuário/cliente/aluno/etc e tal, perguntar sobre um determinado arquiteto. Ela mais que depressa o levou aos terminais e em vez de ensiná-lo a entender a base de dados, ela mesma fez a pesquisa (era mais fácil e rápido) anotou os números e foi na estante. O rapaz a seguiu. A bibliotecária pegou uns três livros e jogou nos braços da criatura. Depois, o levou aos catálogos, afinal, lá poderia encontrar mais algum livro e eureka! Ela estava certa! Anotou os números, foi à estante e pegou mais quatro livros e jogou em seus braços.
Usando uma metáfora, laçou o rapaz até a sua mesa e fez mais uma pesquisinha no índice de arquitetura, em outro índice internacional e em mais outro, encontrou uns dez artigos.
- Bom , temos algumas revistas aqui que já vou pegar, mas essas outras posso pedir os textos via internet, você quer?
Antes de dar chance ao menino para responder...
- Vou pedir, não custa nada mesmo, né? Pera um pouquinho. E clica aqui, clica ali, solicitou o envio imediato dos textos via internet.
O cliente/usuário/consulente tentava dizer que já estava prá lá de bom o que ela havia conseguido. Mas ela no seu afã de atender da melhor maneira possível, usando o bom senso, a cintura, a mangueira, ops, mangueira não! Foi pegar as revistas da biblioteca.
Enquanto isso, ele aproveitou para dar uma escapadinha, carregou os livros até uma mesa , bem longe ao da dela! Para não ser encontrado e mais que depressa procurou o que lhe interessava para tira um xerox e sumir dali, antes que aquela bibliotecária maluca lhe trouxesse mais textos.
Mas não adiantou. Logo ela o encontrou:
- Então, as revistas estão aqui, mas eu achei mais um livro que pode ser legal.
Com um sorriso amarelo, o garoto agradeceu:
- Acho que tudo isso já está bom demais.
- Mas você não quer mais?
- Não, assim está bom....
- Mas eu posso achar mais textos...
- Agradeço muito, mas está bom
- Olha, você fica aí, que vou telefonar para uma amiga minha, que pode me dar mais uma dica.
- Não, não precisa se preocupar tanto, assim está bom.
- Tem certeza? Não quer mais um pouquinho, eu acho!
- Tenho certeza, tudo isso já está bom.
- Então tá.
E ela se afastou pensando:
- Pô esses cara me pedem ajuda e depois desistem no meio da pesquisa, vai entender...
Enquanto pensava, foi interrompida em seu trajeto entre as estantes por outro aluno/usuário/cliente/consulente e sei lá mais o quê:
- Por favor, você é a Dina?
- Sim sou eu.
- É que eu queria tudo sobre o Niemeyer
- Tudo? Você tem certeza que você quer tudo, mesmo?
Ele fez que sim com a cabeça e ela matutou:
- Oba! Essa pesquisa é das boas! E esse não me escapa!


Leticia 1/10/2002