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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A Saga continua...


Sim. Ele ainda está me aporrinhando.
Aperta os dentes, levo horas escovando e passando fio dental com agulhas de plástico, perdendo a paciência. Já não sou tão caprichosa como no começo, tem dia que passo o fio só em cima, no outro só em baixo, às vezes seleciono só alguns dentes aleatóriamente.
Sonhei em passar o Natal e o Ano Novo livre leve e solta, mas o meu dentista não escuta as minhas súplicas! Um sádico!
Será que no meu aniversário estarei sem ele?

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Falta-me fé

Hoje visitei o meu dentista e mais uma vez lhe perguntei: É hoje?
- Não, não será hoje e nem mês que vem.
Senti uma dor no peito e uma angústia por ainda não poder comer torresmos.
Contudo, desta vez ele foi bonzinho, deu algumas explicações, que no fundo eu já sabia.
Como escrevi em Valei-me Santa Apolonia, o dentista não que acabar com o seu brinquedinho. O raio do dentinho, que para mim já desceu tudo o que tinha que descer, para ele ainda não. A cada mês o maldito desce milímetros e como ainda faltam alguns outros milímetros...quiçá no Natal poderei ceiar sem percausos.
Bem que a Vilani avisou: vai durar seis anos!
Decididamente falta-me fé, então vou seguir os conselhos da Araci (outra amiga de trabalho) e mentalizar todo o poder do meu pensamento, tipo o filme O Segredo, para esta longa caminhada da estética dentária terminar e eu poder engordar!!!!!

domingo, 15 de junho de 2008

Valei-me Santa Apolônia!



15 de julho de 2008.
Pelos meus cálculos só faltam 41 dias ou 984 horas, para o dentista tirar o este maldito aparelho das minhas arcadas. Sobrevivi aos últimos 689 dias da minha pacata vida, passando fio dental com agulinha de plástico, que para quebrar a monotonia, às vezes era azul, outras amarela ou branca. E devido a minha idade avançada, tipo muito-pós-adolescente, não podia esquecer os óculos para enxergar os “entre-dentes” no espelho.
Nos últimos 47 meses, passei por maus bocados, como minhas amigas haviam precavido:
Comer beterraba: deixa tudo vermelho;
Comer hot-dog: o pão mole incrusta nos ferrinhos;
Comer folhas verdes: cola em lugares nunca dantes imaginados, na história deste país;
Depois do “aperto” mensal que o dentista dá: ficamos uma semana na papinha, sonhando com um bom naco de torresmo, ou uma torrada para os lights.
Como eu disse em 2006, o dentista previu dois anos e tratamento no máximo! Contudo, minha amiga Vilani vaticinou: eles sempre falam dois anos e ficamos seis. Arre égua, ai, ai, ai. Ando desconfiada que a coisa pode se alongar, pois nas últimas consultas sempre pergunto:
- E aí, é hoje que você vai tirar o aparelho?
- Qual é a previsão?
E ele sempre responde com um ãh, hã, um sorriso, um riso, uma gargalhada e desconversa, falando do tempo, da política ou da falta de grana.
Todos os dias, analiso a minha situação dentária e concluo que os objetivos já foram alcançados, isto é, descer um dente, empurrar os superiores para o lado esquerdo e para trás, fechando o buraco deixado por um dente, o tal que em 2006, meu irmão bravamente arrancou. Digo bravamente nos dois sentidos: heróico e raivoso.
Às vezes penso que o sadismo nato de todo dentista, faz o meu não querer terminar o tratamento. Como pode querer acabar com o seu próprio brinquedinho? Deve ser prazerosos encaixar borrachinha por borrachinha em cada bráquete, passar o fio de aço, torcer com o alicate, cortar e apertar até o paciente grunir de dor e ainda perguntar de está doendo! Este prazer meticuloso, concluo, chega as raias da sodomia. Se não aperta um aparelho ortodôntico, nos tortura com o motorzinho, arranca um dente com o buticão (este nome sempre me assusta), suga nossa alma com o sugador de salivas, sem falar quando quer que o paciente discuta a situação política país de boca aberta.
Agora só me resta rezar para Santa Apolônia abreviar este meu sofrimento, nas próximas 984 horas, é óbvio e que este tratamento chegue ao fim em 26 de julho de 2008, quando completa-se dois anos de via férrea em meus dentes.

Amém.

Nota: Santa Apolônia fez parte de um grupo de virgens martires que padeceram em Alexandria no Egito, durante um levante local contra o Cristianismo antes da perseguição de Décio. De acordo com a lenda, durante sua tortura teve ainda todos os seus dentes violentamente arrancados ou quebrados. Por esta razão, é popularmente considerada como a padroeira dos dentistas e daqueles que sofrem de dor de dente ou outros problemas dentais.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Apol%C3%B4nia

quarta-feira, 12 de março de 2008

10 - Paramentada de aparelho

Cena: Eu de boca aberta, óculos de grau, em frente ao espelho do banheiro, passando fio dental en-tre-ca-da-fer-ri-nho-do-den-te.
- Puxa, meus dentes nunca ficaram tão limpos!
Primeiro escova com a escova dura, depois passa fio dental, com uma agulha de plástico.
- Difícil é achar o buraco da agulha....Hããã, foi.
Depois do fio, usa-se uma escova macia, depois aquela de tufo e por fim bochecho com anti-bactericida bucal.
- Como arde essa coisa!!!
- Arre égua! Ufa, acabou, preciso descansar.

Preciso de toda esta parafernália só porque agora, depois dos quarenta, tascaram-me um aparelho nos dentes, para tapar um buraco de um dente extraído. Risco na minha folhinha cada dia passado, como o dentista prevê dois anos e já se passaram 25 dias, portanto só faltam 705 dias para tirar este maldito aparelho.

Esta triste estória começou quando o dentista, muito atencioso e simpático explicou tintin por tintin como consertaria o buraco da minha arcada dentária e que por isso, teria que usar o aparelho por dois anos. Apesar de não conseguir imaginar como seriam os próximos 730 dias da minha vida, achei divertido, como toda criança que quer colocar aparelho. Fiquei animada com a possibilidade da minha fisionomia mudar. Você algum dia pensou mudar as suas marcas de expressão de lugar com um simples aparelho? Nem eu.
Mas quando contei para as minhas amigas a novidade, comecei a desconfiar que a coisa não seria tão divertida assim. A primeira a me animar disse: é sempre assim, o dentista fala dois anos e você fica seis.
A segunda avisou: não use o transparente, pois é arriscado principalmente quando você comer uma beterraba.
A terceira: reserve meia hora de sua vida a cada escovada. Fiz as contas: quatro vezes por dia: duas horas.
Outras opiniões: O bom que emagrece. Geralmente optamos por não comer só de lembrar que temos que escovar os dentes.
Nos primeiros dias tudo dói, aí quando você se acostuma, o dentista vai e crau, aperta e tudo volta a doer.

Voltei no dia combinado, não muito animada, mas aceitando o meu destino cruel. Em quarenta minutos o profissional cascou-me os ferrinhos. Fechei os lábios e já comecei a sentir o incomodo e saí do consultório matutando: Ah! Elas exageraram, não está doendo nada....
Contudo, ao chegar em casa com a barriga roncando, mirei o pãozinho francês e dei-lhe uma bela mordida. Dei não, tentei, pois foi aí que vi as estrelas brilharem na parede da cozinha e pude humildemente aceitar os avisos dos colegas.
- Arre! Não é que elas têm razão! Isso dói! Meu Deus agora faltam 729 dias e 22 horas para tirar essa coisa!!!!

Passado o susto dos primeiros quinze dias, adotei algumas táticas do programa Fome Zero: muito sorvete, Toddynho no lugar do pão de queijo-e-café; purê em vez de batatas fritas; pão quadrado no lugar do querido francês (esta é a pior parte!). Pipoca, só em casa. Prato ideal: arroz com carne moída, nada dói e a pasta desce pela glote na boa.

Outro dia arrisquei comer alface cortada em tirinhas, tive que chupar como tivesse comendo macarrão e por não conseguir triturar os alimentos, aquela coisa verde grudou na garganta e não descia. Tossi, engasguei, bebi água, muita água e aí foi. Ufa. Não como mais folhas verdes.
Mas há o lado bom: emagrecemos e os dentes ficam limpos: quando come, sai correndo para escovar os dentes; se estiver com preguiça de fazer o ritual dentário, simplesmente, não come e passa fome.
Por outro lado, quem tem filho pré-adolescente, como eu, ainda corre o risco de escutar a máxima: Mãe, adulto de aparelho é ri-dí-cu-lo!
Ao vigésimo-quinto dia aparelhada, já sinto minhas calças caírem, estou fechando a boca, a limpeza está jóia, melhor que nos meus últimos 46 anos, mas tenho o retorno marcado para a próxima semana, quando provavelmente o dentista vai olhar, vai falar:
- Huuummm, tá bom, ta jóia! Vai jogar aquela aguinha que espirra pra todo lado e dar o famoso aperto e eu, pobre de mim....voltarei a me alimentar de todynho, suquinho, leitinho, pãozinho mole, sopinha e outros inhos molinhos, só para não revirar os olhinhos de dor.


20/08/2006

11- Extraindo um cérebro

A minha saga de problemas dentários vem de longe, desde criança freqüento dentistas.Lá pelos idos dos meus lindos 15 anos, obturei umas 20 cáries, duas em ouro! Anos passaram, canais e coroas foram executadas, placa de bruxismo, limpezas, extração do sizo, tudo ou quase tudo foi feito em minhas arcadas.
Mas agora no alto dos meus quarenta e seis anos uma coroa caiu, provisoriamente deu para colar de novo, mas segundo o diagnóstico do meu irmão, dentista, seria necessário fazer um implante, então formou-se um pool de profissionais dentários para discutir o meu caso. Primeiro uma radiografia. Verificaram que não tenho osso para um implante, uma ponte? Também não, pois aquele dente que poderia segurar o falso é pequeno demais. Por que meus dentes haveriam de colaborar e facilitar a nossa vida? Não, tinha que complicar.
Aí pediram uma documentação, sem imaginar o que era, lá fui eu ao laboratório de radiografia. Passei a manhã tirando raio-X, fotografia de todos os anglos do meu rosto, boca aberta, boca fechada, de frente, de lado, boca arreganhada, molde e sei lá mais o quê.
O resultado foi encaminhado diretamente ao pool, que discutiram, analisaram e chegaram a magnífica conclusão: arranca o que sobrou do dente e coloca um aparelho.
Como não tenho medo de dentista, recebi a notícia numa boa. Arranca e coloca aparelho. Tudo parecia que seria uma cirurgia simples: anestesia, um corte na gengiva, o buticão, balançar o dente, afrouxar a raiz, um puxão e pronto, extrairia o dente, ou melhor, o pedaço que sobrou.
Cheguei na hora marcada, às 13:30 horas de uma quarta-feira. Sentei na cadeira, o dentista abaixou o encosto, de modo que fiquei deitada olhando ora o teto, ora as janelas. Uma sala clara e bem iluminada pelas imensas janelas, que mesmo deitada, podia ver o sol brilhar à minha esquerda num mês de julho atípico, fazia calor mas lá dentro o ar era fresco. Eu, paramentada de babador e guardanapo na mão, ele, de luvas cirúrgicas, óculos, preparando os instrumentos na bandeja; verifica a seringa da anestesia, mas percebo que são vários tubinhos, respirei fundo e pensei: vamos lá, coragem é só um dente, tudo acabará logo.
Uma picada ali, outra aqui, mais uma, outra no céu da boca, que dói pra burro. Fecho os olhos e tento pensar em outra coisa e idealizo umas férias em Cancun, que se esvai na primeira tentativa do dentista.
Sinto empurrar o dente para cima e para baixo, pro lado e uma lágrima de dor escorre.
- O quê que é? Vai chorar agora?
- Não, não, pode continuar, não é nada....
Mais um pico de anestesia e sinto a mandíbula indo para a esquerda e o maxilar para a direita, minhas atms reclamam, fico em silêncio, não podia levar mais uma bronca.
- Merda, não podia arrumar um dente mais fácil de tirar?
Não ouso responder, afinal de boca escancarada só podia rezar e rezei, rezei para todos os santos, fiz promessas a São Longuinho, à Nossa Senhora de Aparecida e nada.
O dentista fica de pé e muda de posição, com um instrumento que penso ser, uma chave de fenda, empurra o dente e sinto a costura do encosto da cadeira penetrar em meu cérebro.
- Caracoles! Não vai sair? - reclama o dentista
As horas passam, mais anestesia, sinto o sol queimar as minhas pernas, já devia ser três da tarde e a luta continua, meu irmão. Ele forçando o maldito dente, o maxilar quase caindo, a cabeça prensada na cadeira, tufos de gazes, anestesia, buticão, chave de fenda, chave inglesa, suas mão esmagando as minhas bochechas e? e nada, não queria sair.
Escuto o barulho do famoso motorzinho de dentista.
- Tá partindo para ignorância, pensei e rezei, é claro.

Lembro da dor do parto da minha filha. Dizem que é a pior dor que se pode sentir, mas pelo menos podemos gritar e xingar quem nos deixou naquela situação, inclusive toda a equipe médica que nos assiste, mas num consultório é só você de boca aberta sem poder falar nada e o dentista equipado de todos instrumentos de tortura.
O sol enfraquece, ele xinga mais um pouco, solto um suspiro profundo de cansaço, era uma luta quase vencida por um mísero pedaço de dente. Suplico que martele, mas ele responde que não pode fazer isto.
O crepúsculo, que não era dos deuses, tinge o céu de vermelho. E a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar... já dizia o Raulzito, anuncia o fim da luta às cinco e meia, hora de Brasília:
- Até que enfim! Ruge o dentista. Está aqui o maldito!
Olho para aquele pedaço infame de osso, tão pequeno sem saber se sentia alegria, ódio ou a felicidade de um parto, mas ele era como um filho indesejado, não quis saber dele, não quis guardá-lo como lembrança.
Senti então, os pontos sendo dados rapidamente, nem pedi outra anestesia, pois queria que aquela tortura acabasse logo, assim como ele. Cirurgia finda, voltou a cadeira em posição normal para que o sangue voltasse a circular em meu corpo e eu não desabasse ao levantar.
Dispensada corri para o elevador onde haviam dois homens e uma mulher. Me sentido um extra-terrestre com o rosto inchado, me justifiquei daquela situação:
- Está na cara que estou saindo do dentista, né?
A mulher deu um sorriso...
- E olha que é meu irmão!
- Nooossaaa, imagine se não fosse?
- Pois é, acho que vingou todos seus traumas de infância. É que eu tirei o seu posto de filho caçula quando nasci.
- Deve ser....
Térreo. Saí correndo para o carro e um choro compulsivo e descontrolado veio à tona. Dirigi de volta para casa. Meus pais vieram me receber à porta, pensei que fosse uma calorosa recepção, afinal nunca fazem isto, mas devido o adiantado da hora, quase 7 da noite, meu pai, meu querido e bom velho pai, me pergunta:
- você trouxe o jantar e o pão de amanhã?
Minha mãe equilibrando-se na bengala, só coração de mãe podia responder isso:
- Sampaio..... vá à M....
Agora, estou com aparelho nos dentes, mas isto... será uma outra história...

Letícia 29/07/2006