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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Oração à Emily




Emily que estais no céu
Perdoai-me se um dia te ofendi,
Não foi por mal.
Quando dizia ser sua herdeira
Era porque tínhamos muito em comum:
Surdez, perder o carro no estacionamento,
Fazer processamento e ter parentes no Vale Paraíba.

Ò Emily que estais aí, sentada ao lado direito,
Do criador do céu e da terra,
Do homem e da mulher,
Mandai-me um marido abastado,
Porque aqui embaixo
Andam dizendo que nem disso, sou capaz! Calúnias...
(mas pra falar a verdade, quem diz não vale um tostão de mel coado)

Ò amiga que estais no céu,
Vendo tudo o que se passa por aqui,
Daí-me uma luz!
Ajudai-me com essa tal FAPESP!
Apontai-me o caminho,
Mandai um sinal de como preencher as planilhas.
Onde encontro os números certos.
Fazei com que o Setor Financeiro
Me diga quanto de dinheiro nós temos!

Aproveitando esta oração...
Sussurrai a senha do banco para a sua família.

Amém.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Os Anjos no Céu

Depois de um longo sono tranqüilo, sem apnéia, sem chuva na cama, Emily abriu os olhos. Não reconheceu nada a sua volta e aflita foi logo pensando alto:
- Onde é que estou? Pra onde vou? Será que hoje é dia do meu rodízio e perdi a hora de novo?!
Levantou-se das nuvens em que estava deitada e encontrou um belo café da manhã, repleto de papo-de-anjo, chás, leitinhos, chocolates, tudo o que podemos imaginar. Sem cerimônias Emily deitou e rolou nas guloseimas. De barriga quentinha, espreguiçou-se e notou um lindo portal de ouro a sua frente, com um senhor gordinho olhando para ela:
- Seja bem vinda dona Emily!
- Pode me chamar só pelo nome, mas ki ki é isso aqui? Onde é que estou? Pra onde vou? Pra esquerda ou pra direita? Cadê a Edla? Cadê a Mony? E a Célia, Let’s, todo mundo! Céus kikiéisso aqui?
O gordinho de barba branca, vestido de santo, respondeu:
- Calma! cara amiga, você está no céu e esse povo vem depois, agora você encontrar outras amigas por aqui.
- Céu? Fazendo o quê? Como é que vim parar aqui?
- Ai meu Deus! Todo mundo faz esta pergunta quando chega aqui...
E antes de terminar a frase, o santo foi interrompido pela sua secretária:
- Emily! Você chegou! Estava morrendo de saudades!
- Dora! Quanto tempo! Também morri de saudades, mas me explique onde estou?
- Pô Emily, no céu! E você não sabe quem também está aqui...a Sonia e...
- Bom, já que você já está integrada com os anjos do céu, deixou-a nas mãos da minha eficiente secretária, a Dora, para explicar como é que as coisas funcionam aqui – interrompeu o Santo.
- Ki ki é bem? Não escutei.
O Santo caiu na gargalhada, balançando a barriga:
- Ô meu anjo, aqui no céu ninguém tem defeito de nascença e nem doenças. Você escutou muito bem.
- Pódeixar São Pedro que explico tudo, interveio a Dora puxando a Emily através do Portal para entrar definitivamente no céu.
De olhos arregalados e boquiaberta, exclamou:
- Noooossaaaa!!! Aqui é mais bonito que o céu do Líbano!
Nisso ela escuta uma voz amiga:
- Emily! Tu chegou! Me conta, como vai o povo da FAU?.
- Sônia! Que saudades...Estou feliz por encontrar vocês aqui, não vou me sentir solitária. Mas me contem o que a gente faz aqui no céu? O café da manhã estava divino!
A Dora e a Sonia entreolharam-se e caíram na gargalhada: aqui tudo é divino e maravilhoso!
- Meninas, o que vocês andaram fazendo por aqui, durante esses anos?
- Bom, depois da experiência de secretariar o Antônio Henrique Amaral, Deus me incumbiu a tarefa de auxiliar todos os Santos, ou seja, São Pedro, São Paulo, Santo Antônio, São Expedito, enfim, todos.
- Nossa Dora e você dá conta?
- Afê, tiro de letra, isso não é nada. Lembre-se que construí a minha própria casa em Piquete, trabalhei com a Granja, com Antonio Henrique e a Norma. Os Santos são santos perto de todo esse povo. O único que dá mais trabalho é Santo Antônio, está difícil arrumar homem para tanta mulher solteira.
- É pensando assim, você tem razão. E você Sonia, que anda fazendo?
- Bah tchê, tu não imagina, logo que cheguei aqui abracei a causa dos Anjos Sem Nuvens. Foi lindo! Todos aqueles anjinhos barrocos caminhando e cantando. O anjo Gabriel foi quem representou os anjos na Comissão Celestial das Nuvens.
- Ele é porreta, interrompeu a Dora.
- Eu só orientei como tinha que reinvidicar as nuvens, contei a minha experiência, sabe? Aquelas maravilhosas greves da USP, as passeatas no Palácio do Governador, na Paulista, as bombas de gás lacrimogêneo, você sabe, né?
- Sei, sei, mas aqui também tem isso.
- Nãããooo... Aqui tudo é light, divino e maravilhoso. Depois te conto os detalhes.
- Tem biblioteca aqui? Será que posso trabalhar lá? – perguntou a Emily, ansiosa.
Mas um anjo-barroco-mensageiro, cortou a conversa trazendo um convite para a Emily. A Dora olhou e sorriu:
- Esse programa você vai adorar!
- Ki ki é isso? Um convite para um recital do Tom Jobim! Acompanhado por Mozart em pessoa! Ai, aiai, aiai, sem dúvida estou no céu!
- Então, Emily, esta será a sua função aqui no céu. Organizar recitais, ninguém melhor que você para trazer as atualidades da terra.
- Esqueça as bibliotecas, isso pode esperar a Let’s, que quando chegar vai processar tudo num piscar de olhos e não precisa se preocupar com espaço, que é divino, maravilhoso e infinito! Retrucou a Sônia.
- E nem descartar, explicou a Dora.
- Então gente, mostrem o céu!
- Com prazer, responderam as duas em coro, e aqui não tem problema de goteiras e desconforto ambiental.
- Ai que maravilha! Divino!

E assim, nossas três amigas foram felizes para a eternidade.

quarta-feira, 12 de março de 2008

17 - Descartando setembro

Não era 11 de setembro, mas era setembro..... Primavera? Dia quente de sol? Chuva? Sei lá meu! Não lembro como estava o tempo lá fora, só lembro que aqui dentro, o tempo estava fervendo!
Quando cheguei na biblioteca ela já estava trabalhando. É óbvio que já estava lá, pois sempre chego depois...
Com toda a sua aflição, fazia tudo ao mesmo tempo: atendia aos telefonemas, reclamava do micro que não funcionava, falava com as colegas de trabalho, selecionava e descartava os livros... huuummm...acho que foi isso que a fez ter um piti.
Aquela manhã de setembro, nenhuma torre caiu, nenhum Carandiru foi inaugurado, nenhuma multidão foi assassinada, somente um colega desapareceu misteriosamente.
A Emily estava nos dias, no dia do descarte e nós sabemos que ela é um arraso nesta arte e como!
Logo cedo a Emily se pôs a executar a tarefa: pegava um livro, abria, via a ficha de empréstimo e pensava: - esse livro nunca saiu, descarte.
- Esse aqui saiu só em 1996... e este então? Em 88!
E ZAP! Como o Zorro que passava a espada no estômago dos inimigos, a Emily passava a espada do descarte nas estantes.
- Descarte, descarte, descarte.
E o Rodison, como o heróico Sancho Pança, foi obedecendo à suas ordens e separando os livros.
O dia foi passando e a gente começou achar que ela estava exagerando, mas ninguém tinha a ousadia de falar que não era preciso limpar o acervo daquele jeito.
E a Emily na empolgação foi descartando, foi descartando... ao final do dia 80% do acervo estava no chão para doar à alguma biblioteca.
- Ufa! Missão comprida. Rodison! Pode levar tudo lá para dentro para descartar...
Mas ele não respondeu.
- Rodison! Rodison? Cadê vocêêê???? Gente o Rodison sumiu!
Foi uma polvorosa, cadê o Rodison? Onde ele se meteu? E todos nós começamos a chamá-lo, a procurá-lo, até que alguém ouviu um pedido de socorro lá loooonngeeee, bem baixinho...
- Socorroooo..................
Alguém gritou :
- Achei o Rodison! Ele está aqui no 711.4098611293827364!!!!! está embaixo de tudo!!
- A Emily descartou o Rodison!
- AAAhhhh, Emily, ele ainda serve pra alguma coisa...
Ela tentou se explicar:
- Gente! O Rodison não! Eu me enganei, ele fica, põe na estante de novo!
Tiramos o nosso querido baianinho dos escrombos livrescos, não era um Trade Center, mas chegava perto, diante da cara amassada e do corpo amarrotado do nosso heróico ajudante de descartes.
Nada como um café da Iracema para recuperar as energias do Rodison, afinal só ele não foi descartado, o resto foi....


Letícia 20/09/2002