quarta-feira, 5 de novembro de 2008

conto de fadas


Ando meio assim, sei lá, sem inspiração. Então para o blog não ficar tão desatualizado, transcrevo um conto de fadas que recebi no meu email:

Era uma vez uma bela moça que pediu um garoto em casamento:
- Você quer se casar comigo?
Ele respondeu:
- NÃO!
E o moça viveu feliz para sempre, não teve filhos, viajou, conheceu muitos outros garotos, fez plásticas, não lavou louça nem fez jantar, visitou muitos lugares, sempre estava sorrindo e de ótimo humor, nunca lhe faltava pretendentes, ia e voltava a hora que queria, saia pra jantar com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela.
O garoto, ficou velho, careca, barrigudo, engordou, broxou, se fudeu e ficou sozinho....

FIM

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

DEUS NÃO É ARQUITETO, URBANISTA E NEM DESIGNER...

Era uma vez uma biblioteca de Arquitetura e Urbanismo linda, loira, de olhos azuis, pisos brilhantes e caramelizados, livros de arte e arquitetura com capas e conteúdos ma-ra-vi-lho-sos, com funcionários chiques e atenciosos enfim, tudo na mais perfeita ordem. Mas, a perfeição atrai a inveja e o mau olhado e como tudo que é bom dura pouco...
Tudo começou nos idos do ano 2006 depois de Cristo - que Deus o tenha - quando a Vânia resolveu cuidar da sua vida e nos deixou. Ela sair da biblioteca tudo bem, o problema estava em conseguir alguém, tão eficiente quanto, para ocupar a sua vaga e numa instituição pública como a USP, isto significa uma longa batalha de pedidos, faxes, ofícios telefonemas e reuniões com diretores, reitores e/ou chefes de departamento de pessoal.
Foi ainda em 2006 que instâncias superiores resolveram criar um novo curso noturno na FAU, o Design. Só esqueceram que para a biblioteca funcionar a noite precisa contratar mais funcionários e para isto acontecer, deve-se criar mais vagas o que significa uma longa batalha de pedidos, faxes, ofícios telefonemas e reuniões com diretores, reitores e/ou chefes de departamento de pessoal.
Por conta deste novo curso, até que conseguimos 3 técnicos para trabalhar 6h/dia sem muito chororô. E a bibliotecária que ocupou a vaga da Vânia teve que cumprir horário noturno para atender às pesquisas noturnas, portanto, o setor antigo da bibliotecária que foi cuidar da própria vida, ficou a ver navios, barcos, pórticos, fotos etc etc e tal.
Em setembro de 2007, a diretora da biblioteca foi convidada a assumir um posto mais alto na sua carreira, lógico que prontamente atendeu ao pedido da Reitora, com a promessa de uma vaga, assim de mão beijada, sem precisar de batalhas e faxes, ofícios telefonemas e reuniões com diretores, reitores e/ou chefes de departamento de pessoal.
O tempo passou, passou, o verão findou, veio o outono, inverno, outro verão, outono, inverno e agora a beira da primavera de 2008 cadê a vaga? Que vaga? Hein? Anh? Quem falou em vaga?
Neste meio tempo, uma outra bibliotecária nos deixou, não por vontade própria. É que recebeu uma chamada de Deus e quem pode com este arquiteto?
Em junho deste ano, maldito, diga-se de passagem, a bibliotecária “noturna” nos deixou por outras razões que prefiro não comentar.
Vai daí as bibliotecárias que sobraram passaram valer por duas, três até quatro, é que para tudo continuar a funcionar como antes: linda, loira, caramelizada, somos o que éramos e o que as outras, que se foram, eram. Entenderam? Não?
Não precisa entender, só que se um dia você esbarrar numa bibliotecária descabelada, stressada, com sapatos trocados, trocando alhos por bugalhos, pode ter certeza que trabalha na FAU.
Decididamente DEUS NÃO É ARQUITETO, URBANISTA E NEM DESIGNER...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Hamlet


Estive lá! Quase dormi. 3 horas sentada, não é mole.
mas vale a pena.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Aleluia! Ela veio!

Segunda-feira cheguei à biblioteca lenta e com os pensamentos embaralhados, acho que é por causa do famigerado aquecimento global, sem imaginar o que estava por vir....
Às nove horas da manhã me dirigi a copa, como de costume e passando pelo Setor de Projetos topei com a Bete. Sim a Bete chegou! a Bete veio! Veio balançar e sacudir a poeira dos livros.
A princípio achei que era uma miragem, que meus olhos estavam confundindo alguma aluna com a figura da Bete, ou pela vista turva devido a falta de chuva em São Paulo, mas aí ela emitiu um som:
- Cheguei!
Pensei alto:
- Deus começou a olhar para nós!! Ai Jesus!
Felizes com a sua chegada, demorou mais veio, festejamos com um bolinho e café na copa. Enfim mais dois braços para guardar livros, mais duas mãos para digitar o que for preciso, mais uma boca para comer os biscoitinhos na copa! E depois dos blábláblás, das fofocas, dos comentários do fim de semana, nos perguntamos:
- Quem vai ficar com a Bete?
Suspense.....
A Rosilene já estava lá, toda serelepe, mostrando o seu setor, o de Projetos. A Mônica precisando urgente de alguém para por a sua prole em dia (explicando a prole: Índice de Arquitetura Brasileira e o cadastro da Produção (in)científica).
Eu preciso de um ser pensante para tombar as doações, que andam caindo na minha mesa feito bala perdida dos morros do Rio de Janeiro.
A Turma da Dina, isto é, do atendimento, sabe, aquele povo que fica no balcão sempre sorrindo, engolindo sapo, abelha, mosca, pois quem encosta o umbigo lá, “tem sempre razão” , mestre ou aluno? nem piou.
A Edla, a bibliotecária turista e chiquééérrrimaaa, que já está indo viajar logo logo, nos deu um golpe de mestre usando a sua arma poderosa: desceu do salto Cordoban, abriu a sua bolsa da Fendi e de lá tirou a sua arma! E com um Tsssss vaporizou o nosso ar com o seu Chanel n.5, nos paralisando feito estátua e impedindo qualquer reação ao seu próximo golpe fatal:
- Bete, você é minha! Sente-se aqui que vou chamar a Regina para te ensinar o serviço, pois ainda tenho que fazer umas comprinhas virtuais.
Quando o efeito do perfume passou, depois daquele quem sou eu, onde estou? Nos demos conta que era tarde demais a Edla já havia a cooptado, pra não dizer seqüestrado.
Mas como nós trabalhamos em equipe e sabendo do breve embarque da chiquéérrimaaa rumo ao United States, é bom que a Bete assuma o serviço, antes que sobre mais serviço para a Mony.
De qualquer forma, vai um soneto:
Bete.
Esteja onde estiveres.
Tu és bem vinda.
ALELUIA!!!!!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

De olhos abertos

Era uma vez, num futuro quase próximo, no Japão, uma japonesinha neta de uma japonesa bibliotecária da FAU.
Certa vez a japonesinha, vendo o robô doméstico da sua mãe atarefado fazendo uma torta de kiwi e manga, teve a brilhante e antiga idéia de levar um pedaço da torta para a sua super-moderna avó. Ela sabia que a vovó adorava transformações em sua pessoa. Conheceu toda a evolução da anciã através das fotos daquele antigo orkut. Como também era amiga dos cinco netos da Let´s ( que ainda não tem nome, mas que serão cinco, ah! isso serão) conhecia também antigo blog da Let´s, onde estava repleto das estórias da avó.
Aí ela avisou a mãe que ia levar o pedaço do doce para a Neusa lá na FAU, mãe concordou com a condição que não parasse no caminho.
– Ok, mamy, respondeu a filha.
Pegou a sua nave espacial infantil e voou do Japão para o Brasil rapidinho, mas chegando em São Paulo, viu que o trânsito estava parado e resolveu fazer um pit-stop em Copacabana, no Rio de Janeiro. Era a hora do rush da manhã e poderia esperar até às 10h, quando a vovozinha costumava tomar café com as colegas da biblioteca.
Esticou a toalha na areia e ficou admirando as águas poluídas do Atlântico. Deu um tempo, tomou água de côco, conversou com um surfista, que definitivamente não será o Lobo Mau desta estória. Às 10 horas, colocou o capacete e o macacão prateado, itens essenciais para pilotar naves espaciais infantis e rumou para São Paulo. Em dois minutos chegou ao destino.
Como já era conhecida na Biblioteca, entrou sem cerimônias perguntando pela querida vovozinha. A Regina que ainda estava no balcão de empréstimo, de barba branca de molho, avisou que provavelmente ela estaria tomando café.
Ao chegar à copa, todo mundo fez festa:
- Olá! Como vai? – disse a Rita
- Como está linda a sua neta! Comentou a Araci
- Ah, há! Trouxe docinho para a vovó? Emendou a Mony.
Respondeu um arigatô para aquele povo escandaloso. Acanhada foi se chegando perto da avó e falou baixinho, mal de família ou da etnia?
- Vovó pra que este decote tão grande?!
- É pra ventilar melhor o pescoço, respondeu a Neusa.
- Pra que este cabelo de espanador?
- É para arejar as idéias.
- Pra que este salto tão alto?
- É pra subir na vida.
- Pra que esta plástica nos olhos?
- É para abri-los e enxergar looongeeee!!!!!!
- Será que também posso abrir os meus?É que assim o mundo parece pequeno.
A Neusa deu um sorriso e explicou para a neta que ainda era cedo e também era por isso que os japoneses transformava toda nova invenção do Ocidente, num mesmo objeto na versão micro.
- Então tá-né-vó. Come a torta que tenho que voltar pra casa.
E lá se foi a japonesinha feliz da vida, almoçar sushi e peixe cru no Japão.

Falta-me fé

Hoje visitei o meu dentista e mais uma vez lhe perguntei: É hoje?
- Não, não será hoje e nem mês que vem.
Senti uma dor no peito e uma angústia por ainda não poder comer torresmos.
Contudo, desta vez ele foi bonzinho, deu algumas explicações, que no fundo eu já sabia.
Como escrevi em Valei-me Santa Apolonia, o dentista não que acabar com o seu brinquedinho. O raio do dentinho, que para mim já desceu tudo o que tinha que descer, para ele ainda não. A cada mês o maldito desce milímetros e como ainda faltam alguns outros milímetros...quiçá no Natal poderei ceiar sem percausos.
Bem que a Vilani avisou: vai durar seis anos!
Decididamente falta-me fé, então vou seguir os conselhos da Araci (outra amiga de trabalho) e mentalizar todo o poder do meu pensamento, tipo o filme O Segredo, para esta longa caminhada da estética dentária terminar e eu poder engordar!!!!!

Salve, Salve São Barnabé

Não sei por que (des)cargas d´água o diretor da FAU decidiu disponibilizar para todas as funcionárias, um único, mísero e fedorento banheiro.
No final do ano passado, veio o ofício da diretoria comunicando a mudança imediata e sem choro nem vela para São Barnabé, o Santo protetor dos funcionários públicos.
Diante da democracia, sem consulta às bases, esvaziamos nossos armários particulares, cheios de pastas e escovas de dente; escovas e pentes de cabelo; batom, sombras, sabonetes, sabonetinhos, toalhinhas, absorventes, perfumes, potinhos, papel higiênico para uma emergência mais sólida, enfim, mil coisas e coisinhas, para os homens dos serviços gerais carregarem nossos arquivos, armários e/ou guarda-roupa para a nova moradia.
Assim, num espaço claustrofóbico de 6 x 5m2, com três latrinas, portas sem trincos, sem janelas, duas pias e paredes pintadas de vermelho-sangue e azul-petróleo (as cores primárias da arquitetura moderna brasileira) aboletamos 2 armários cinzas que somam-se 20 portas, um armário de madeira pintado de branco, com 10 portas e por fim, um guarda-roupa marrom. Considerando que cada portinha de armário é ocupada por duas pessoas ou mais, calculo umas trinta usuárias para três míseras privadas.
É lógico que esta quantidade de armários impede a boa circulação, teve um dia que calculei mal a passagem e bati a cabeça na quina da porta, vi estrelas, por sorte estava sozinha e não paguei mico.
A hora do almoço é um sufoco, faz fila para usar as três latrinas, fila para escovar os dentes, quando há serviços de cabeleireiro das moças atualizando as chapinhas aí o ar fica insuportável! O ar parado e quente do secador deixa a paisagem nebulosa e irrespirável, mas mulher que é mulher suporta qualquer dor ou qualquer provação pela vaidade.
A primeira hora da manhã, quando as faxineiras ainda não passaram por lá, a melhor opção é o banheiro da rodoviária mais próxima...! Papeis higiênicos transbordam dos lixos, nem Berlusconi resolveria este problema. Sabe aquela coisa de matar aula no banheiro? Neste, nem pensar.
Como a ventilação é inexistente, na falta de janela para o ar circular, fizeram um puxadinho: um cano que exausta o cheiro para o lado de fora bem em cima da porta de entrada/saída.
A história nos ensina que os banheiros surgiram por volta de 2.500 A. C., dentro das pirâmides para tornar a eternidade dos faraós mais agradável.
Em Roma:“ Nos banhos públicos aconteciam reuniões, encontros, conversas e acordos que impulsionavam tanto a política como as artes e as ciências...”
Mas foi na Idade média que identifiquei na nossa atual situação:
“A Idade Média, muito apropriadamente chamada de Idade das Trevas, protagoniza o total sepultamento dos hábitos de higiene. A Igreja, poder político e cultural absoluto, abominava os banhos tratando-os como "Orgias Pecaminosas". Nos castelos... os "banheiros" eram escuros, pois, acreditava-se que no claro as moscas e demais insetos se aproximavam e transmitiam doenças...”
Aí veio o século XX mudando o nome para toilette e arquitetos de interiores especialistas neste nobre cômodo, transformando-os num espaço de descanso e saúde!. Quem nos dera!
Como não somos faraós, políticos e nem milionárias, só nos resta rezar para São Barnabé.
Salve, salve meu Santo protetor!