terça-feira, 29 de setembro de 2009

Oração à Emily




Emily que estais no céu
Perdoai-me se um dia te ofendi,
Não foi por mal.
Quando dizia ser sua herdeira
Era porque tínhamos muito em comum:
Surdez, perder o carro no estacionamento,
Fazer processamento e ter parentes no Vale Paraíba.

Ò Emily que estais aí, sentada ao lado direito,
Do criador do céu e da terra,
Do homem e da mulher,
Mandai-me um marido abastado,
Porque aqui embaixo
Andam dizendo que nem disso, sou capaz! Calúnias...
(mas pra falar a verdade, quem diz não vale um tostão de mel coado)

Ò amiga que estais no céu,
Vendo tudo o que se passa por aqui,
Daí-me uma luz!
Ajudai-me com essa tal FAPESP!
Apontai-me o caminho,
Mandai um sinal de como preencher as planilhas.
Onde encontro os números certos.
Fazei com que o Setor Financeiro
Me diga quanto de dinheiro nós temos!

Aproveitando esta oração...
Sussurrai a senha do banco para a sua família.

Amém.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Tô sem tempo de viver

Tô sem tempo de viver
São tantas coisas pra fazer:
Filha casa trabalho lazer
Costura faxina carro escrever
Ser mãe ser pai ser filha
Compras consertos planejamentos
Médicos dentistas exames.

Estou sem tempo pra viver
São tantas coisas
Ser paciente e enfermeira
Ser mãe modelo e mãe de modelo

Cadê o meu eu que me fazia ser
Eu somente
Baladas músicas danças barzinhos?
Tô ficando cansada de viver.

sexta-feira, 27 de março de 2009

O CAMINHÃO DE BOSTA DA FAU




Foi numa manhã aprazível de março, de sol, calor e graças a Deus, um ventinho matinal... que, ao chegar no prédio da FAU/USP, onde trabalho, senti um cheiro de peixe podre e pensei:
- Nooooossssaaaa! Teve feira aqui ontem?
Mas qual não foi a minha surpresa quando vi um caminhão encostado perto do prédio e lá em cima, como se fosse muito natural, um rapaz rindo derrubando zilhões de metros cúbicos, que a primeira vista parecia terra, mas que pelo odor fétido deduzi era adubo, ou seria esterco? O olfato me dizia que era lixo e conclui que era um montão de merda.
É caro leitor..era um caminhão de pura bosta sendo despejada na FAU.
Para falar a verdade, a reforma do jardim da FAU é inexplicável. Tudo bem, vamos considerar que a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo tem que ter um projeto paisagístico exemplar; que o antigo estava descuidado, mas não bastava regar? Cortar as folhas secas, replantar algumas novas? Precisava arrancar tudo, até árvores antigas? Fazer caminhos de cimento e pedrinhas só para quebrar os saltos altos? Ah, sei lá o que esses arquitetos arquitetam em suas mentes.
E como a FAU é uma instituição pública, provavelmente a empresa responsável por este projeto foi escolhida pelo menor preço. E você pode imaginar o adubo mais barato do mercado? A bosta mais barata? Não é de vaca ou de cavalo, deve ser (pelo perfume que paira no ar há 15 dias) de restos de lixo orgânico: pura bosta barata!
Naquela manhã de segunda feira foi um forfé, uma moça da limpeza vomitou; alunos e funcionários passaram mal; outras ficaram com dor de cabeça. Os funcionários da biblioteca têm trabalhado de máscara cirúrgica; dizem que na diretoria de meia em meia hora, bombeiam Bom Ar. Comer na lanchonete nem pensar! E o pior: quem diria que ficar no banheiro é o melhor lugar! Afe!
Da minha janela, não vejo o Arpoador, mas a mocinha que comanda os heróicos empregados espalhando, mexendo e remexendo a bosta, com cara de paisagem, varrendo a merda pra lá e pra cá e levantando uma nuvem de bosta em pó que se espalha por todo o prédio, impregnando em nossas roupas, peles, cabelos, narinas, no chão, no ar que respiramos, enfim, joga merda no ventilador e faz tudo isto comendo pipoca doce!
E como toda reforma demora... Isto ainda vai feder por muito tempo!

Letícia 25/3/2009

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Um espírito encostou em mim.


Tenho um afilhado, meio pertubado, lindo, fofo e frágil. Pertence a tribo tipo assim, fala aí meu, belê?, vamos tomar uns goró. Há anos dá trabalho para os pais, faz terapia e apronta. Leva a vida aos trancos e barrancos, mas sempre tem uma mão para reerguê-lo.
Preocupada com o andar desta carruagem, que há anos anda em passos de tartaruga e considerando que madrinha é a segunda mãe, encomendei para a minha amiga Araci, que freqüenta centros espíritas, um espírito da hora, bom e porreta, pra por meu sobrinho na linha ou num trilho mais rápido e tomar rumo nesta vida.
Dias depois reclamei que o espírito não estava fazendo efeito, mas ela foi categórica que ele tem cura, considerando que o caso é por demais complicado resolvi esperar mais um pouco pelos resultados da minha encomenda.
Vieram as festas de final de ano e por incrível que pareça, ele participou de todas. Graças ao meu novo cunhado (que não poderia ser melhor) passamos o ano novo juntos, quando tive a oportunidade de trocar algumas frases conexas com ele. E entre os só, ê aí? vamos tomar umas brejas? contou seus planos para 2009: fazer teatro em São Paulo e ficar no Albergue do Sumaré, isto é, a minha casa.
Comecei a desconfiar que o pacote espírita estivesse dando certo. E ele veio!
Como nunca se aventurou em São Paulo e no papel da segunda mãe, porém mais light, estou caprichando no rango, enchendo a geladeira de cerveja (pra não tomar na rua, mas ainda não deu certo, ele toma todas aqui e lá fora), dei dicas de cursos de teatro, acompanhei em alguns, levei ao cinema, levei a bares. Enfim arranjei um marmanjo como filho!
Pensando bem, acho que o espírito encostou em mim, mas se der certo, já estou fazendo uma listinha de encomenda:
Um para a minha filha se tornar cdf;
Um para o meu irmão dar um pé na bunda da mulher;
Um para a minha mãe sair andando;
Um para o meu pai aceitar mudar de casa;
Um para a minha irmã falar FUI para os filhos e exs;
Um para eu casar com um milionário e o albergue se tornar uma mansão para acolher, enfim, todos aqueles que querem morar comigo.
Ô Araci é só isso, será que dá pra providenciar?

UM PRESENTE PARA MINHA MÃE




Mês passado duas primas minhas visitaram a minha mãe, que já passa dos 80 anos e uma delas, a Silvia, deu uma caixa de chocolate Mundi.
Não sei se todo mundo conhece a tal caixa: é uma caixa com divisórias onde os chocolates, embalados em papel colorido estão encaixados em cada quadradinho. É tão legal que depois de comer tudo, pode servir para guardar bijus ou como o marido de uma amiga faz, usa como paleta de tintas.
Lógico que a minha mãe adorou o regalo, visto que mostra para cada pessoa que passa lá em casa, seja parente ou não conhecido ou desconhecido e fala pra todos:
- Veja o que ganhei! Uma caixa de chocolates, caixa bonita não?
Mas não oferece nenhum para ninguém, nem meu pai, companheiro de 58 anos, conseguiu pescar um!
Como passa o dia sentada ou deitada no sofá, a caixa fica lá ao lado dela, para quando tiver vontade de olhar, arrumar, desarrumar e arrumar de novo, está ali, ao seu alcance.
Demorou a começar a comer, porque ninguém lembrou que aos 84 anos não tem mais força na mão para rasgar o plástico que envolve a caixa, porém depois que o meu pai fez o favor, passou a comer um ou dois chocolatezinhos só depois do jantar; só ela!
Desembrulha, embrulha, desembrulha, come, fica lendo os sabores, arruma e faz carinho nos chocolates, come outro e se lambuza, depois é um Deus nos acuda para escovar os dentes...
Outro dia minha irmã me ligou desesperada que não achava a caixa! Mamãe queria porque queria comer o chocolate! Citei vários armários possíveis em que poderiam ter guardado e nada, ninguém achava. Coitada, foi dormir tristinha sem o seu doce brinquedo.
Mais tarde da noite meu pai ligou avisando que havia achado a caixa debaixo de um volume do Tesouro da Juventude (enciclopédia da sua infância) que ele está relendo por falta de opção.
E como ele diz: num português muito bem escrito!
E a mamãe ainda continua namorando a caixa...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A Saga continua...


Sim. Ele ainda está me aporrinhando.
Aperta os dentes, levo horas escovando e passando fio dental com agulhas de plástico, perdendo a paciência. Já não sou tão caprichosa como no começo, tem dia que passo o fio só em cima, no outro só em baixo, às vezes seleciono só alguns dentes aleatóriamente.
Sonhei em passar o Natal e o Ano Novo livre leve e solta, mas o meu dentista não escuta as minhas súplicas! Um sádico!
Será que no meu aniversário estarei sem ele?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

conto de fadas


Ando meio assim, sei lá, sem inspiração. Então para o blog não ficar tão desatualizado, transcrevo um conto de fadas que recebi no meu email:

Era uma vez uma bela moça que pediu um garoto em casamento:
- Você quer se casar comigo?
Ele respondeu:
- NÃO!
E o moça viveu feliz para sempre, não teve filhos, viajou, conheceu muitos outros garotos, fez plásticas, não lavou louça nem fez jantar, visitou muitos lugares, sempre estava sorrindo e de ótimo humor, nunca lhe faltava pretendentes, ia e voltava a hora que queria, saia pra jantar com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela.
O garoto, ficou velho, careca, barrigudo, engordou, broxou, se fudeu e ficou sozinho....

FIM